Eduardo Holguín e Juan Carlos Posligua tiveram barco tomado e afundado. Agora, eles não sabem se continuarão com a pesca: 'Não sei o que vou fazer daqui para frente' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pescadores equatorianos contam como foi operação militar de EUA e Equador que interceptou o barco em que trabalhavam — Foto: AFP Dois pescadores equatorianos descrevem como “martírio” o que viveram quando militares interceptaram e afundaram seu barco durante as operações conjuntas entre Estados Unidos e Equador contra o narcotráfico no Pacífico, que deixaram quatro embarcações destruídas em pouco mais de uma semana. Eduardo Holguín, de 41 anos, e Juan Carlos Posligua, de 44, foram tirados da embarcação e levados a uma delegacia. O Comando Sul dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira, no X, que havia interceptado uma embarcação que supostamente dava apoio ao grupo criminoso equatoriano Los Choneros. Tratava-se do “Conquista 2”, de bandeira equatoriana, no qual Holguín e Posligua viajavam. Eles negam qualquer vínculo com o narcotráfico. As operações ocorrem após a publicação de um relatório da organização Human Rights Watch, que denunciou que três embarcações equatorianas teriam sido atacadas por forças americanas entre janeiro e março deste ano, deixando pelo menos oito pessoas desaparecidas. Washington nega qualquer envolvimento com os desaparecimentos. "Apontavam para nós” a partir dos helicópteros que estavam “bem perto do barco” e, depois, chegou uma lancha “com todos os militares”, relata Holguín à AFP. — Foi aí que começou o martírio para nós. Eles tomaram nosso barco, nos levaram para a patrulha e o explodiram. Depois que as forças militares assumiram o controle da embarcação, retiraram a tripulação e a levaram para outro navio, onde, segundo o pescador, havia um tradutor e “americanos”. Depois, “colocaram uma capuz em mim” e “protetores auriculares”, acrescenta. Holguín e seus companheiros receberam alimentos, mas “com tudo o que estava acontecendo, não tínhamos nem vontade de comer”, conta. 'Três dias sem dormir' Os tripulantes do “Conquista 2” foram entregues à Marinha equatoriana, que ficou responsável por transportá-los até Manta, o principal porto pesqueiro do sudoeste do país sulamericano. O mesmo aconteceu com os pescadores que viajavam em outras embarcações interceptadas. Desde 28 de agosto, forças militares afundaram quatro barcos equatorianos por supostamente terem vínculos com Los Choneros, uma organização do narcotráfico. Para e , que estava no “Conquista 2”, os últimos dias foram “difíceis”. — Estou há três dias sem dormir e sem comer — diz o homem, de 44 anos. Seu tormento, no entanto, não terminou com a explosão do barco. Ao chegarem à terra firme, os tripulantes foram levados a uma delegacia, mas foram libertados no dia seguinte sem qualquer acusação contra eles. — Não tínhamos nada de ilícito. Somos pescadores comuns que saíamos para trabalhar para levar o pão de cada dia para nossas casas — afirma Posligua. Depois de serem interceptados pelo Exército dos Estados Unidos, Holguín e Posligua estão em dúvida se voltarão às atividades de pesca. — Se isso continuar assim, talvez não — lamenta Posligua, que trabalha com pesca há 28 anos. Holguín está preocupado com as dificuldades para conseguir trabalho no Equador. — É difícil, agora não há trabalho. E, se for preciso fazer isso (voltar ao mar), temos que fazer. O que mais podemos fazer? — questiona.
Pescadores do Equador descrevem 'martírio' após terem seus barcos interceptados por militares dos EUA
Eduardo Holguín e Juan Carlos Posligua tiveram barco tomado e afundado. Agora, eles não sabem se continuarão com a pesca: 'Não sei o que vou fazer daqui para frente'














