Não devia ser tão difícil investigar um ministro do Supremo. O que já sabemos sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro: a esposa de Moraes fechou um contrato de R$ 130 milhões com o ex-banqueiro; Moraes editou o contrato. A família recebeu ainda viagens de jatinho, e Vorcaro emitiu cartões de crédito com limites estratosféricos para os filhos do casal.

Vorcaro se encontrou com Moraes diversas vezes e mandava para ele mensagens num tom pra lá de familiar. Pediu para Moraes atrasar o trabalho da PF, pediu —dias antes de sua prisão— conselho sobre se deveria sair do país e ainda perguntou se Moraes conseguira "bloquear" alguma "maldade" contra ele.

Ainda não sabemos quais foram as respostas de Moraes. Sabemos, contudo, que ele pediu vistas de um processo sobre precatórios do interesse de Vorcaro. Nesse intervalo, o Master carregou em seu balanço precatórios com valor inflado. Houve atos de favorecimento ao ex-banqueiro? Apenas com uma investigação de Moraes poderemos descobrir.

A essa altura, ninguém defende blindagem a Moraes abertamente. O discurso de defesa é indireto: construir um paralelismo entre ele e André Mendonça. Ambos teriam errado.

O que esse falso paralelo omite: o pedido de investigação de Moraes se deve aos graves indícios de corrupção citados acima; o pedido de investigação de Mendonça se deve a supostas falhas processuais apontadas por Moraes em benefício próprio na maior perversão do inquérito das fake news até aqui.