Ao se acomodarem na cama, algumas pessoas podem acabar deixando de lado um livro há muito esquecido e pegando o celular. E não estariam sozinhas. Uma pesquisa com 122.058 adultos, publicada em 2025, constatou que 41% usavam algum tipo de tela todas as noites na hora que antecedia o sono.

Apenas 17% disseram não usar telas antes de dormir. Os efeitos negativos talvez não se resumam ao pouco avanço na leitura de "Guerra e Paz", livro de Liev Tolstói. Diversos estudos associaram o uso de telas à noite a uma noite de sono ruim.

A luz das telas costuma ter muito azul em seu espectro, o que levou alguns a apontar essa cor como culpada pelo sono ruim. O comércio percebeu a oportunidade. Hoje há uma profusão de produtos para filtrar a luz azul, entre eles óculos, programas e películas para telas. Mas as evidências que justificariam tamanho preconceito contra o azul estão longe de ser convincentes.

O ritmo diário do organismo é comandado pelo relógio circadiano do cérebro. Ele favorece o estado de alerta pela manhã e a sonolência à noite. A luz dita o ritmo. Um pequeno grupo de células do olho contém um pigmento sensível à luz chamado melanopsina. Essas células não auxiliam a visão; em vez disso, enviam sinais aos neurônios do relógio circadiano. Isso inibe a produção de melatonina — hormônio que desencadeia processos fisiológicos associados à noite — e, assim, sincroniza o organismo com o ciclo de dia e noite da Terra.