Segundo Damares Alves, o ministro não despachou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que Michelle fosse substituída nos cuidados com o marido 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo Esperada pela cúpula do PL no ato de 7 de setembro, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro não conseguirá estar presente na manifestação, segundo aliados, porque o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) não despachou o pedido da defesa do ex-presidente para que ela fosse substituída nos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar. Aliados alegam que o objetivo do ministro seria “prender” os dois. Leia mais “O problema é que, se ela fosse, ficaria no mínimo dez horas fora de casa. Ela é a responsável por ele. A Michelle é a carcereira dele, mais ou menos isso eu posso falar. Ela é quem cuida dele, da cela dele”, disse a senadora Damares Alves (Republicanos), uma das principais aliadas da ex-primeira dama. “Ela não queria ser candidata a senadora por causa disso. Então, não está fácil. E [Moraes] não autorizou ninguém a cuidar dele. O Alexandre quer prender os dois”, completou Damares. O risco de Michelle comparecer ao ato, segundo aliados e pessoas próximas à ex-primeira dama, era de que uma eventual ausência de casa pudesse ser interpretada como sinal de que Bolsonaro não estaria recebendo os cuidados necessários, o que poderia alimentar argumentos favoráveis à transferência do ex-presidente para um presídio. O advogado João Henrique Nascimento protocolou pedido à Justiça para que Bolsonaro tenha autorização para ficar sob tutela de outra pessoa, para que Michelle possa viajar. Mas, o pedido não teria sido ao menos despachado, segundo pessoas próximas de Michelle. “Para ir a São Paulo, mesmo que seja de aeronave particular, num bate e volta, é um dia inteiro fora. Quem vai cuidar do Jair? Às vezes, as pessoas não estão entendendo, estão pensando que é brincadeira, que ela não faz comida, que ela não cuida. Não. Ela não pode ficar mais de três horas fora de casa”, argumentou a aliada. A interlocutores, Michelle tem relatado que sua rotina ficou praticamente “asfixiada” pelas condições impostas à prisão domiciliar do marido. A ex-primeira dama foi uma das articuladoras da transferência de Bolsonaro para a domiciliar e inclusive teve conversas com o próprio ministro para negociar a mudança de regime. Um aliado, em caráter reservado, avalia que a decisão de Moraes foi um “abraço de sucuri” e um “presente de grego” para Michelle, já que as restrições acabaram impostas também sobre ela. Desde que Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar, Michelle assumiu os cuidados cotidianos com o marido, incluindo alimentação e administração de medicamentos. Aliados afirmam que a rotina tem limitado viagens, compromissos políticos e até a participação da ex-primeira-dama em alguns cultos religiosos. De acordo com Damares, Michelle passa o feriado do 7 de setembro em casa, em Brasília. “Agora de manhã, por exemplo, ela deixou a comida dele [Bolsonaro] pronta, veio aqui na igreja orar. Estamos saindo da igreja agora. Ela está voltando para casa para dar comida a ele e, à tarde, tentar fazer uma reunião política ou outra e, à noite, ir a uma reunião política ou outra”, declarou.