Confrontos se intensificaram nos últimos dias, apesar do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ataques israelenses contra uma cidade no sul do Líbano mataram pelo menos 12 pessoas, incluindo duas crianças, na manhã desta segunda-feira, informou o Ministério da Saúde libanês, em um dos dias mais letais de bombardeios israelenses das últimas semanas. Os temores de uma nova campanha militar israelense estão aumentando no Líbano após dias de ataques cada vez mais intensos, apesar do cessar-fogo de junho que deveria interromper os combates entre o Exército israelense e o grupo armado libanês Hezbollah. Uma mulher que disse ser parente de pelo menos três dos mortos afirmou que um dos ataques atingiu um edifício residencial enquanto crianças se preparavam para ir à escola. O Exército israelense disse ter atingido pessoas vistas transferindo armas na região da cidade de Kfar Rumman. No local, repórteres da Reuters viram livros escolares infantis espalhados entre blocos de concreto onde antes havia o edifício. Equipes de resgate, usando máquinas pesadas, trabalharam durante toda a manhã para retirar corpos dos escombros. Mustafa Farhat, de oito anos, perdeu os avós e a mãe no ataque, segundo moradores. Equipes de resgate ainda procuravam o corpo de seu pai na manhã desta segunda-feira, enquanto o menino estava internado em um hospital para tratar os ferimentos, disseram eles. Uma de suas parentes, Mona Farhat, disse à Reuters que a casa da família foi atingida pouco antes do horário de saída para a escola. "O que eles estavam tentando atingir? Qual é o objetivo? Eles querem que deixemos nossa terra? Estão enganados", disse Farhat no hospital. O Ministério da Saúde do Líbano informou que 11 pessoas, incluindo duas crianças e quatro mulheres, morreram no ataque contra um edifício residencial nesta segunda-feira. A imprensa estatal havia informado anteriormente que o ataque ocorreu depois da meia-noite. Um ataque separado de um drone israelense contra um veículo civil na cidade matou um paramédico, informou o Ministério da Saúde. Outros dois paramédicos ficaram feridos no ataque, segundo o ministério. Os ataques contra Kfar Rumman ocorreram sem que o Exército israelense emitisse um alerta de evacuação pela internet. Ataque de Israel no sul do Líbano visto de Marjayoun — Foto: Karamallah Daher/Reuters Israel analisa relatos de civis feridos O Exército de Israel afirmou que tomou medidas para reduzir os danos "a pessoas não envolvidas nos combates, incluindo o uso de munições de precisão e vigilância aérea". Os militares disseram estar analisando o relato de que "pessoas não envolvidas" foram atingidas nos ataques. O Exército israelense afirmou que o Hezbollah lançou durante a madrugada dois drones carregados com explosivos contra tropas israelenses que operavam nas proximidades da cordilheira de Ali al-Taher, um conjunto estratégico de colinas no sudeste do Líbano onde acredita-se que o Hezbollah tenha construído um complexo militar subterrâneo. Israel afirmou na semana passada que havia expulsado combatentes do Hezbollah da cordilheira. O Hezbollah não comentou o caso, e a Reuters não conseguiu confirmar de forma independente a situação militar em Ali al-Taher. Nos dias seguintes, Israel intensificou os ataques mortais contra cidades ao norte e a oeste da cordilheira, onde moradores haviam retornado após o cessar-fogo de junho, disseram autoridades de segurança libanesas à Reuters. As autoridades disseram esperar que a escalada no sul continue nas próximas semanas. No domingo, pelo menos 11 pessoas foram mortas em ataques israelenses contra três cidades próximas à cordilheira, informou o Ministério da Saúde do Líbano, em uma atualização do número de mortos. Duas das vítimas eram mulheres mortas em ataques contra a cidade de Arab Salim, onde o Exército israelense havia emitido um alerta de evacuação pela internet às 6h04 no horário local (3h04 GMT). O Ministério da Saúde informou que ataques israelenses separados no domingo destruíram o hospital Ghandour, na cidade de Nabatieh al-Fawqa. Outras quatro pessoas foram mortas na sexta-feira, incluindo uma mulher, acrescentou o ministério. Esses ataques ocorreram sem alertas de evacuação. Os ataques israelenses contra o Líbano mataram mais de 4.300 pessoas desde que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em 2 de março — dois dias após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã —, desencadeando uma ofensiva aérea e terrestre israelense. Entre os mortos estão mais de 250 crianças, quase 400 mulheres e mais de 130 profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde libanês. O ministério não diferencia, nos demais casos, entre civis e combatentes, e o Hezbollah não divulgou um balanço de seus próprios combatentes mortos. O cessar-fogo reduziu drasticamente a violência, mas tropas israelenses que ocupam extensas áreas do sul do Líbano continuaram a demolir vilarejos dentro da chamada zona de segurança estabelecida unilateralmente por Israel. O Exército israelense também continuou realizando ataques dentro da zona e ao norte dela, em sua maioria sem emitir alertas de evacuação.