Estado Judeu, que ocupou o território libanês entre 1982 e 2000, voltou a ter suas forças militares na região em 2024, diante da escalada do conflito com o grupo radical Hezbollah 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ataque israelense ao vilarejo de al-Mansouri, no sábado (5), parte da escalada desta semana — Foto: KAWNAT HAJU/AFP Novos ataques israelenses ao sul do Líbano deixaram 12 mortos na madrugada desta segunda-feira (7), incluindo quatro mulheres e dois bebês, de acordo com a mídia estatal libanesa. A ofensiva acontece apenas um dia após uma outra ofensiva militar de Israel matar sete pessoas na região. Onze pessoas morreram em apenas um dos ataques, que destruiu um prédio residencial de três andares em Kfar Rumman, de acordo com a agência NNA. A outra vítima é um socorrista, cujo carro foi alvo das forças israelenses — um segundo socorrista, que estava no carro, ficou ferido, de acordo com o ministério da Saúde do Líbano. O Exército de Israel havia ordenado moradores de Deir Zahrani – a cerca de 9 km do estratégico monte Ali Taher – que evacuassem a área nesta madrugada, antes do início dos bombardeios com drones explosivos, segundo a AFP. Não há informação de israelenses feridos. Devido à escalada de violência neste fim de semana, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, pediu aos EUA e à comunidade internacional que ajudem a frear os ataques de Israel. O Estado Judeu, que ocupou o Sul do Líbano entre 1982 e 2000, voltou a ocupar a região em 2024, diante da escalada do conflito com o grupo radical Hezbollah. Um fotógrafo da agência de notícias AFP viu o prédio destruído em Kfar Rumman, e afirma que havia livros escolares e móveis nos escombros. Socorristas atuavam no local na manhã desta segunda-feira, buscando mais vítimas do ataque israelense. Moradores tinham voltado para suas casas na região depois da trégua nas hostilidades negociada em junho. – Desde que voltamos, temos vivido com medo – afirma Fouad Chakaron à AFP. O que acontece no Líbano? As Forças de Israel anunciaram no início deste domingo (6) que começariam a realizar ataques no sul do Líbano e orientaram que moradores de Arab Salim deixassem a região imediatamente. Duas mulheres foram mortas. A operação seria uma retaliação a lançamentos de drones feitos pelo Hezbollah contra seus soldados, disseram os militares israelenses. O Estado Judeu acusa a milícia apoiada pelo Irã de violar repetidamente o cessar-fogo acordado em junho. O Hezbollah não comentou a escalada de ataques vista nos últimos dias Parentes, amigos e moradores de Arab Salim carregam o caixão de Israa Bahjat, uma das mulheres mortas durante o ataque ao sul do Líbano em 6 de setembro — Foto: AMMAR AMMAR/AFP Um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, acordado em junho, já demonstrava sinais de desgaste. O sul do Líbano, e o estratégico monte Ali Taher, sofrem bombardeios diários de Israel. Por que Ali Taher – e o sul do Líbano – são tão importantes? Mediado pelos EUA, o acordo de 26 de junho prometia que Israel se retiraria do Líbano se o Hezbollah se desarmasse. O grupo, que não participou das negociações, se recusa a entregar a área do território libanês ao norte do rio Litani, onde está o monte Ali Taher. Segundo as forças israelenses, o motivo seria uma rede de túneis no seu subterrâneo que o Hezbollah usa como abrigo para seus soldados e armazém de armas. O Hezbollah, por sua vez, teria rejeitado uma proposta do próprio governo libanês de entregar o monte ao exército do país. Isto porque o grupo temia que os militares libaneses perderiam o controle da região para os israelenses – que poderiam até passar a exigir uma parte do território do país. Oficialmente, a liderança do Hezbollah afirma que não haverá desarmamento se Israel não se retirar do território libanês. Israel ocupou a região do monte Ali Taher por 18 anos antes de sua retirada do Líbano em 2000. O local tem vista privilegiada para diversos vilarejos e estradas principais do sul libanês – e sua perda não prejudicaria apenas os abrigos e abastecimentos do Hezbollah, mas a própria sobrevivência no grupo na área. Apoiado pelo Irã, que segue em guerra com EUA e Israel, o Hezbollah também atacava com drones os militares israelenses na área nas últimas semanas, apurou a agência Associated Press. A tensão chegou ao seu ápice na quinta-feira (3), quando o Estado Judeu anunciou que havia tomado o controle operacional de Ali Taher, enquanto a mídia estatal libanesa informava que suas forças aéreas seguiam bombardeando o monte. Com o início da operação em Arab Salim, situada a 7 km da montanha, ficou claro que a escalada de violência não está mais contida apenas aos abrigos do Hezbollah de Ali Taher – e pode levar a novos focos de combate por todo o país, além de dificuldades para as negociações de paz também com o Irã. Moradores do vilarejo de Mayfadoun, a 14 km de Arab Salim, inspecionam a destruição após ataque de 5 de setembro — Foto: AMMAR AMMAR/AFP Na sexta-feira (4), a agência estatal libanesa NNA havia noticiado que ataques israelenses já atingiam sete vilarejos nos distritos de Tiro e Nabatieh, incluindo Mayfadoun, mas não havia informação de feridos. Neste domingo (6), aviões israelenses bombardeiam também Zawtar al-Sharqiyah, a cerca de 19,5 km de Arab Salim, ainda de acordo com a rede Al Jazeera. O número de mortos vítimas de ataques de Israel no Líbano nos últimos três anos já passa de 8.900, enquanto os feridos são quase 30.600, informa autoridades de saúde pública libanesas à rede Al-Jazeera. Quase metade dos mortos e mais de um terço dos feridos foram registrados após 2 de março. O Alto Comissariano das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estima que 360 mil pessoas no Líbano tenham sido deslocadas pelo conflito até o mês de agosto, com pelo menos 22 mil vivendo em abrigos coletivos.