João Barnabé Sobrinho, 74, que mora no interior de Rondônia, se recupera bem do procedimento para tirar tumor no intestino 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 João Barnabé Sobrinho, de 74 anos, foi o primeiro paciente a passar por uma cirurgia a distância pelo SUS, por meio do Hospital de Amor de Barretos, no interior de São Paulo. — Foto: Divulgação / Hospital do Amor “Tudo começou quando senti uma dor do lado esquerdo, também doía muito a minha coluna. Comecei a fazer exames no Hospital do Amor de Porto Velho (RO), até que foi diagnosticado um tumor maligno no intestino, mas estava no início. O médico falou que eu teria que fazer uma cirurgia, e eu aceitei na hora, “se tem que fazer então vamos correr atrás”, pensei. O doutor pediu alguns exames antes da cirurgia, e fiz tudo em dois meses. Fiz todos os procedimentos no Hospital do Amor, porque eles não aceitavam exames de outros postos de saúde. O doutor marcava algumas consultas a cada 15 dias, porque moro a 300 quilômetros de Porto Velho, em Ouro Preto do Oeste, e ficava bem longe para ir sempre. Então, esse processo todo foi longo. Nesse meio tempo, apareceu uma hérnia também, aproveitamos e já fizemos tudo junto. Entre os exames, o médico chamou a mim e ao meu filho para conversar e contou que viria uma equipe de Barretos, no interior de São Paulo, para fazer uma entrevista comigo, e também contou que eles iam trazer robôs para a operação. Explicou para mim direitinho como funcionava a cirurgia e perguntou se eu aceitava, e então assinamos os papéis. A minha família toda apoiou a cirurgia pelo robô, todos me falaram “vai ser uma cirurgia muito boa”, “vai ser mais rápida”. Eu quis fazer e fui o primeiro a fazer a cirurgia pelo robô no SUS. O grande dia Quando chegou o dia, foi uma maravilha. Fiquei muito satisfeito. Foi emocionante ver a equipe que estava dentro da sala de cirurgia, que me atendeu muito bem. Com o tempo, eles passam a conhecer os pacientes, tratar pelo nome, passam no quarto para ver como a gente está, é muito carinho com os pacientes. Foi uma alegria para mim, fui muito bem tratado. Equipe de médicos em Porto Velho (RO) acompanha cirurgia robótica realizada em Barretos (SP). — Foto: Divulgação / Hospital do Amor Me levaram para a sala de cirurgia e tinha um aparelho que eles mexiam lá em Barretos e viam meu intestino aqui em uma tela, mexeram em tudo por dentro. Foi uma maravilha, um sucesso, todo mundo ficou admirado. Foi muito tranquilo. Se não me engano, foram cinco horas de cirurgia. Me levaram para a UTI, me atenderam, deram os medicamentos e tudo mais. Meu genro estava comigo e ficou até me darem alta, mas meus filhos estavam sempre me acompanhando por telefone. Tenho quatro filhos e, para mim, foi uma bênção de Deus. Cada vez que eu vinha para os exames, tinha um filho meu comigo. Fazíamos todos os procedimentos e voltávamos para casa, a 300 quilômetros. Ninguém mostrou dificuldade, não. Agora, estou na casa da minha filha e do meu genro, na cidade de Buriti, e eles estão cuidando de mim direitinho, minha recuperação está sendo muito boa. Não senti medo nenhum quando soube que a cirurgia seria à distância. Sempre pedia a Deus que me desse força, que eu fizesse a cirurgia com tranquilidade. As igrejas de Ouro Preto do Oeste e uma igreja de Buriti, estavam orando por mim. Quando falaram que vinha essa equipe para Porto Velho e que o médico de Barretos ia me operar, eu disse, “não é só ele que tá operando, Deus tá do lado dele, dando a instrução”, porque eu sou um servo de Deus. Deus acompanhou essa cirurgia toda, desde as primeiras conversas em Barretos até o dia da operação. No fim, o que eu mais valorizo na vida é que Deus está sempre ao meu lado. Ele estava operando grandes maravilhas na minha vida, e isso é o principal. Agora, depois da cirurgia, estou me recuperando muito bem. Tenho uma dor aqui e ali, mas é normal porque está recente. Mas tirando isso, não senti nenhuma dor fora do esperado. Daqui a uns dias vou passar no médico de novo, fazer uma revisão e tirar os pontos. Creio que daqui a uns 20 dias vou estar bem e recuperado, porque estou cada vez melhor. Estou tomando todas as medicações que o médico passou e elas estão funcionando muito bem. Só tenho a agradecer pelo hospital, os médicos, enfermeiros, e a minha família. Estou sendo elogiado em Rondônia pela cirurgia e sinto que depois disso estou pronto para tudo o que vier no futuro.” * Em depoimento a Beatriz Paulino, estagiária sob supervisão de Mauricio Xavier.