A mineira Bia Ferreira tocou em praças e ruas de várias cidades onde viveu nas regiões Sudeste e Nordeste. Ao fim de cada apresentação, passava o chapéu para arrecadar algum dinheiro que lhe desse condições de, pelo menos, se alimentar no fim do dia.

Em 2018, viu sua música Cota Não É Esmola (um manifesto sobre justiça social) viralizar na internet. A partir daquele momento, sua carreira ganhou projeção. Vieram então Igreja Lesbiteriana, Um Chamado (2019) e Faminta (2022), álbuns marcados pela “dor social”, como afirma, dos tempos difíceis que passou.

Agora, mais madura, com uma carreira ascendente no exterior, ela lança Améfrica cheio de vivacidade, vigor musical, leve e político ao mesmo tempo. Um disco para entrar na lista dos melhores do ano por tudo que ele emana.

“A Bia de 2019, que lançou o Igreja Lesbiteriana, vinha de uma dor social muito latente. Uma artista que vivia na rua, que rodava o chapéu, que não sabia se ia conseguir comer, vinda de um lugar de embate”, conta ela em entrevista ao programa Sobre Tom, de CartaCapital.

“Agora, a Bia que fez Améfrica está vivendo outra coisa. Ela passou por 26 países nos últimos três anos, levando arte e cultura. É uma Bia que se reconhece brasileira de um lugar de muito orgulho, que faz arte brasileira, música negra brasileira”, complementa.