Apesar de reunir um time do G4 e outro do Z4, o confronto deste sábado foi anunciado como um clássico sem favoritos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Hulk e Andrés Gómez: Fluminense e Vasco se enfrentaram neste sábado — Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense e Matheus Lima/Vasco O torcedor do Flamengo gosta de se gabar, entre outras coisas, de seu time ser o maior rival dos outros três grandes do Rio, enquanto ele mesmo não consegue escolher. Na verdade, essa percepção varia com o tempo: o Fluminense das crônicas de Nelson Rodrigues, o Botafogo dos 6 a 0 (contra e a favor), o Vasco de Eurico Miranda. Mas, justamente no momento de maior domínio rubro-negro — porque agora, além de títulos, o clube fatura muito mais dinheiro do que a concorrência —, a principal rivalidade do futebol carioca é entre tricolores e cruzmaltinos. Nenhum outro clássico tem, hoje em dia, mais elementos, dentro e fora de campo, do que o de ontem à noite no Maracanã — cujo resultado escrevo sem saber, o que pode ser bom para não me deixar influenciar. A começar pelo próprio estádio. Quem não acompanha futebol, ou mesmo quem torce por times de outros estados, pode não ter a dimensão do que significa uma torcida mudar de lugar. “É o destino”, como hoje cantam os vascaínos, apropriando-se dos dizeres de um mosaico tricolor, que a rivalidade tenha começado a se acirrar com essa decisão. E talvez seja preciso acreditar em destino para entender — ou aceitar — para que lado foi a freguesia. Outro dia ouvi Paulo Vinicius Coelho, o PVC, contar uma deliciosa história em sua participação na Rádio CBN: o jornalista Moacir Japiassu, vascaíno de uma época em que seu time era vítima de amplo domínio tricolor, entrou no quarto do filho e o viu jogando futebol de botão. “Qual é a partida?”, perguntou. “Vasco e Fluminense”, ouviu em resposta. “E como está?”, quis saber. “Duríssimo. Zero a zero.” Foi o que bastou para transformar a curiosidade em bronca: “Pelo menos na nossa casa a gente precisa ganhar!” O tempo se encarregou de cumprir a ordem na vida real. E justamente quando parecia haver menos motivos para isso. O Fluminense de hoje talvez seja o clube associativo de melhor custo-benefício no Brasil. Não conseguiu se organizar financeiramente como Palmeiras e Flamengo e não tem a capacidade de arrecadação de seu maior rival. Mas monta times competitivos, vai à Libertadores todo ano e foi campeão numa década dominada pela dupla — a outra exceção foi o Botafogo, no momento de maior investimento da SAF. Teve o melhor desempenho entre os brasileiros que disputaram a Copa do Mundo de Clubes. Cheguei a chamá-lo, neste espaço, de Davi do Golias rubro-negro. Mas nem esse apelido cabe mais. O Fla-Flu é o clássico mais equilibrado do Rio na atualidade. O Vasco, por sua vez, ainda não conseguiu uma solução extracampo para sair da luta constante para não cair para a Série B (embora há algum tempo não precise mais pensar em subir para a A). É o único dos cariocas a não ter comemorado um título de grande expressão nos últimos anos. Contratou menos jogadores de elite do que os rivais. A única força que não perdeu foi a da torcida, que lotou São Januário nos piores momentos, continua lutando por seu espaço no Maracanã e ainda alimenta a esperança de ver o título da Copa do Brasil depois de duas temporadas de quase. Com todas essas diferenças, o jogo entre um time do G4 e outro do Z4 foi anunciado como um clássico sem favoritos. E qualquer resultado terá sido só mais um capítulo dessa rivalidade que desafia a lógica.
Rivalidade entre Vasco e Fluminense desafia momento dos clubes e é hoje a principal do Rio
Apesar de reunir um time do G4 e outro do Z4, o confronto deste sábado foi anunciado como um clássico sem favoritos









