[RESUMO] A exposição "To Love" apresenta o encontro amoroso e artístico, corajoso e nada óbvio, de Claudia Andujar e George Love, que ampliaram as possibilidades da fotografia como linguagem artística. Solarizações, exposições duplas e prolongadas, filmes infravermelhos e alterações no processamento químico estão entre os recursos explorados por ambos, destaca crítico de arte.

Eu ia saindo de fininho da casa de Claudia Andujar depois de um longo dia de trabalho, lá pelos idos de 2014, quando ela me lembrou de olhar os livros que doaria, para ver se algum seria do meu interesse.

Deixei então o famoso apartamento da rua São Carlos do Pinhal com uma pilha debaixo do braço. Além de uma primeira edição de "The Americans", do fotógrafo Robert Frank, com o carimbo de Andujar na folha de rosto, me chamaram a atenção outros dois volumes.

Um deles era "The Bikeriders" (1968), de Danny Lyon, que documenta uma gangue de motociclistas de Chicago nos anos 1960 e recentemente virou filme —"Clube dos Vândalos" (2023). O outro, uma monografia da editora Prestel, especializada em livros de arte, sobre a série "Fotoformas", de Geraldo de Barros, ponto alto da vanguarda construtiva brasileira.

Com Lyon, Andujar integrou a efervescente cena norte-americana da fotografia nos anos 1960. Nathan Lyons, que foi curador da George Eastman House, incluiu Lyon e Andujar, respectivamente, em duas exposições sucessivas por ele organizadas: "Toward a Social Landscape" (1966) e "Photography in the Twentieth Century" (1967).