Em março de 2023, a equipe de engenharia da Amazon Prime Video publicou um post técnico que causou bastante repercussão na comunidade de cloud: eles haviam redesenhado um de seus serviços internos, saindo de uma arquitetura distribuída baseada em serverless para uma aplicação monolítica rodando em containers — e reduziram o custo operacional em 90%.

O caso ficou conhecido de forma simplificada como "Prime Video abandona microsserviços", mas essa leitura esconde um detalhe importante: o problema não estava no conceito de microsserviços em si, e sim em como serverless (Step Functions e Lambda) havia sido usado para orquestrar um fluxo de altíssima frequência de eventos. Vale entender o caso com mais profundidade, porque as lições dele valem para qualquer arquiteto de cloud que precisa decidir entre desacoplar componentes ou simplificar a orquestração.

O serviço em questão: monitoramento de qualidade de áudio/vídeo

O time responsável era o de Video Quality Analysis (VQA), que mantém uma ferramenta capaz de detectar problemas de qualidade em streams de vídeo em tempo real — coisas como corrupção de blocos de imagem, congelamento de vídeo e dessincronização entre áudio e vídeo. Essa ferramenta já existia, mas não havia sido projetada para operar na escala de milhares de streams simultâneos, que é o volume real de tráfego da Prime Video.