Por trás do esplendor da arte egípcia, com as cores vivas que decoravam paredes de templos, vasos de cerâmica ou mesmo sarcófagos, havia uma estranha mistura de quitanda com açougue. Proteínas obtidas a partir do couro de animais e de sementes de cevada, gergelim e outras plantas eram essenciais para a produção das tintas que embelezavam o reino dos faraós, mostra uma pesquisa publicada na revista Science Advances no fim do mês passado.

O trabalho, conduzido por uma equipe de pesquisadores europeus, é a análise mais completa feita até hoje da composição química de diferentes tipos de pinturas do Egito antigo, abrangendo períodos que vão desde o chamado Novo Império, por volta de 1400 a.C., até o ano 400 da Era Cristã, quando a região era uma província romana já havia vários séculos.

Liderados pelos italianos Clara Granzotto e Enrico Cappellini, ambos da Universidade de Copenhague, os autores da pesquisa trabalharam com um total de 28 amostras de arte egípcia, provenientes de museus na Dinamarca, na Suécia e no Reino Unido. Entre os objetos estudados há caixões de madeira, fragmentos de pinturas de tumbas como a do escriba e contador Nebamun (que morreu por volta de 1350 a.C.) e pedaços de estruturas arquitetônicas, também pintados.