Madri calcula que os países do bloco europeu acumularam 822 bilhões de euros em perdas decorrentes das mudanças climáticas e de eventos meteorológicos extremos desde 1980 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A ministra da Energia e do Meio Ambiente da Espanha, Sara Aagesen — Foto: Chris J. Ratcliffe/Bloomberg A Espanha pediu à União Europeia que crie um fundo específico para adaptação climática e estabeleça metas obrigatórias, à medida que aumentam os custos associados ao agravamento das mudanças climáticas, que neste verão causaram calor recorde e incêndios florestais em todo o bloco europeu. Madri calcula que os países da União Europeia acumularam 822 bilhões de euros (US$ 955 bilhões) em perdas decorrentes das mudanças climáticas e de eventos meteorológicos extremos desde 1980, cerca de um quarto delas entre 2021 e 2024, período dos dados mais recentes disponíveis. A Espanha também é um dos países mais afetados pelo aumento das temperaturas no verão, por incêndios florestais e por secas. A UE se comprometeu a alcançar a neutralidade climática até 2050 e a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 55% em relação aos níveis de 1990 até 2030. Sua Estratégia de Adaptação de 2021 está sendo atualizada e ampliada pelo braço executivo do bloco, a Comissão Europeia, para se tornar um Marco Integrado de Resiliência Climática, que será apresentado aos Estados-membros. Em uma carta ao comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, disponibilizada à Reuters nesta sexta-feira, a ministra do Meio Ambiente, Sara Aagesen, afirmou que a Espanha considera que políticas reativas já não são suficientes para proteger a segurança, a prosperidade e a competitividade. O país pediu a criação de um Fundo Europeu de Adaptação Climática e sugeriu a arrecadação de recursos por meio de taxas, incluindo uma cobrança sobre os lucros dos setores de petróleo e gás. Instrumentos de dívida comum da UE também deveriam ser considerados, segundo a proposta. A iniciativa, noticiada inicialmente pelo Financial Times nesta sexta-feira, também pede avaliações de riscos climáticos a cada cinco anos nos níveis europeu, nacional e regional, a serem incorporadas ao planejamento público e às decisões sobre infraestrutura, uso da terra e investimentos. O documento sugere a adoção de metas obrigatórias de adaptação de curto, médio e longo prazo, inicialmente abrangendo setores como água, saúde, infraestrutura, florestas, turismo, agricultura e pesca. A Espanha também propôs transformar o mecanismo de proteção civil da UE, o “rescEU”, em um sistema permanente de resposta a emergências climáticas, com equipamentos e protocolos compartilhados e uma frota aérea específica para o combate a incêndios. Outras propostas incluem um esquema europeu de resseguro público-privado e títulos de riscos climáticos para ajudar a cobrir perdas provocadas por eventos meteorológicos extremos. Madri afirmou que as medidas de adaptação devem continuar alinhadas aos esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, já que a eficácia e o custo dessas medidas dependerão de quanto o aquecimento futuro puder ser limitado. Um bombeiro trabalha para combater um incêndio florestal que afeta Castela e Leão, na vila de El Tiemblo, Espanha , em 24 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Violeta Santos Moura Um porta-voz do Ministério do Meio Ambiente da Espanha disse à Reuters que a proposta foi compartilhada com outros Estados-membros da UE. A Comissão afirmou que os recursos para adaptação climática fazem parte das negociações sobre o orçamento da UE e que a tributação de lucros extraordinários do setor de energia é de competência de cada país. No mês passado, Espanha, Alemanha, Portugal, Itália, Polônia e Áustria pediram à presidência da UE que discutisse, em setembro, a criação de um mecanismo para tributar os lucros extraordinários obtidos pelas empresas de petróleo em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.