Quando as autoridades de trânsito apreendem a motocicleta de um entregador em Buenos Aires, voltar ao trabalho pode depender da contratação de empréstimos digitais onerosos, alimentando um ciclo de endividamento que está cada vez mais vinculando os trabalhadores autônomos da Argentina aos aplicativos dos quais dependem para obter renda.
Albert Quintero, um entregador de 41 anos, ganha em média 70 mil pesos (R$ 234,7) por dia entregando refeições para viagem. Mas recuperar uma motocicleta apreendida pode custar cerca de 140 mil pesos (R$ 459) em multas e taxas, uma conta que, segundo ele, muitos trabalhadores não conseguem arcar sem recorrer a empréstimos.
Cada vez mais trabalhadores de aplicativos estão recorrendo a empréstimos de fintechs, incluindo crédito oferecido pelas próprias plataformas de entrega para as quais trabalham, apesar das taxas de juros que frequentemente chegam a três dígitos.
Aplicativos como o PedidosYa oferecem empréstimos aos entregadores a uma taxa anual de 131%, enquanto a carteira digital Personal Pay cobra cerca de 170%.
"Há muitos que não têm dinheiro", disse Quintero, e por isso acabam se endividando.










