Por Clarissa Palácio

Imagine uma coleção que começa a ser produzida sem tecido, máquina de costura ou sequer uma peça física. Antes de chegar à fábrica, uma roupa pode existir como modelo digital, ganhar diferentes cores, proporções e materiais e ser avaliada em uma tela. Se a ideia não funcionar, ela pode ser descartada sem que uma amostra precise ser cortada. Se funcionar, pode avançar para as etapas seguintes com mais informações sobre o que realmente vale a pena produzir.

Durante décadas, experimentar uma ideia de moda significou materializá-la. O processo envolve desenho, modelagem, escolha de tecido, confecção de amostras, ajustes, fotografia e novas versões até que a peça esteja pronta para chegar ao mercado. Cada tentativa exige tempo, mão de obra, matéria-prima e logística, inclusive quando o resultado final é uma roupa que nunca será vendida. A inteligência artificial e as ferramentas de criação em 3D começam a deslocar parte desse processo para o ambiente digital.

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