Hoje, trabalhadores cumprem 35 horas semanais de trabalho no setor industrial. Empresas reclamam que custo da hora trabalhada, de quase R$ 300, está alto demais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jornada de 35 horas semanais foi instituída após em 1984, após um grande número de metalúrgicos da antiga Alemanha Ocidental realizou uma greve de sete semanas para exigir uma jornada menor — Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg Executivos das maiores indústrias da Alemanha estão defendendo a retomada da jornada semanal de 40 horas sem aumento de salário. Segundo reportagem do britânico Financial Times, os empresários, entre eles os da Mercedes-Benz e da fabricante de máquinas Stihl, argumentam que os elevados custos trabalhistas estão comprometendo a competitividade da indústria alemã no cenário internacional. Atualmente, a jornada semanal de 35 horas é o padrão estabelecido por acordos coletivos para cerca de um quinto dos trabalhadores alemães, sobretudo em setores como o automotivo, o de engenharia e as indústrias de ferro e aço. A discussão na Alemanha acontece ao mesmo tempo em que no Brasil tramita no Congresso Nacional a proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6x1 . A PEC prevê dois dias de descanso na semana e redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas. No início deste mês, Martin Brudermüller, presidente do Conselho de Supervisão do Grupo Mercedes-Benz, afirmou ao jornal alemão Handelsblatt que o custo da mão de obra no país “se tornou alto demais em comparação aos padrões internacionais”. Segundo ele, a Alemanha também perdeu a vantagem de produtividade que mantinha em relação a importantes concorrentes. Diante desse cenário, Brudermüller defendeu uma revisão da jornada de trabalho. — Deveríamos considerar seriamente o retorno à semana de 40 horas— declarou ao jornal. O tema ganha ainda mais relevância diante das negociações salariais entre sindicatos dos trabalhadores da indústria e empregadores, previstas para começar em outubro. A jornada de 35 horas semanais foi adotada após uma disputa trabalhista ocorrida em 1984, quando dezenas de metalúrgicos da então Alemanha Ocidental entraram em greve por sete semanas para reivindicar a redução da carga horária. Considerando todos os setores da economia, a jornada média de trabalho na Alemanha atualmente é de 37,8 horas semanais. Alta dos custos trabalhistas na Alemanha Os custos da mão de obra alemã estão entre os mais elevados da União Europeia. De acordo com o Financial Times, uma hora de trabalho no setor industrial do país custa € 49,50 (R$ 297, na cotação atual)— valor 47% superior à média de € 33,70 (R$ 202) registrada na UE e mais de três vezes maior que os € 15,60 (cerca de R$ 93) praticados na Hungria, por exemplo. Embora os trabalhadores alemães apresentem produtividade superior à de seus pares do Leste Europeu, o custo unitário do trabalho — indicador que relaciona o custo da mão de obra à produção dos funcionários — vem aumentando em ritmo significativamente mais acelerado desde 2023, segundo levantamento do Instituto de Macroeconomia e Pesquisa Econômica (IMK), um centro de estudos financiado pelos sindicatos alemães, citado pelo FT.