Drama de hospital é quase um gênero em si, e um bem prolífico. A diferença de "Emergência 53", que estreou no Globoplay no fim de agosto e agora está com todos os dez episódios no ar, é tirar a ação dos corredores hospitalares e levá-la às ruas do Rio de Janeiro, onde atende a equipe que dá nome à série.

De resto, a produção da Conspiração não procura invencionices. Ampara-se em um elenco bem escolhido que dá vida a personagens densos e nuançados, frutos de um texto inteligente e uma direção precisa.

O resultado é um drama intenso, que acelera os batimentos de quem vê, mas econômico em sentimentalismo e muito atual, assinado por Márcio Maranhão —o consultor médico por trás de "Sob Pressão"—, Cláudio Torres e Andrucha Waddington.

Direção, dividida entre os dois últimos com Pedro Waddington e Rebeca Diniz, e edição fogem do aspecto novelesco do gênero mesmo ao lidar com morte, crime (não se pode falar do Rio sem isso), desigualdade e dilemas pessoais tão variados quanto verossímeis.

Com duas protagonistas, a obra tem nas personagens femininas seu motor principal —aos masculinos, coube uma ou duas doses de clichês.