Instituição foi fundada por ele em 2024 com o objetivo de oferecer cursos jurídicos e de aperfeiçoamento profissional 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Movimento ocorre também um dia após notícia de que Mendonça também se reuniu com Daniel Vorcaro — Foto: Victor Piemonte/STF O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça anunciou nesta quinta-feira (3) que deixou a sociedade do Instituto Iter, instituição de educação fundada por ele em 2024. A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre contratos públicos firmados com o instituto e também vem na esteira da crise que se instalou nessa semana no STF. Mendonça tornou público nessa semana um relatório da Polícia Federal com mensagens que teriam sido enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes. Um dia após a divulgação, o portal ICL noticiou que Mendonça se reuniu com Vorcaro em março de 2025. O encontro teria ocorrido no instituto, em São Paulo, e não no gabinete do ministro em Brasília. O ICL também divulgou foto em que Mendonça aparece ao lado do advogado Ciro Soares, que atuava para Vorcaro. Soares diz ao ex-banqueiro que estava "trabalhando" para ele. A foto teria sido tirada em uma alfaiataria. Fundado em 2024 por Mendonça, o Instituto Iter tem como objetivo de oferecer cursos jurídicos e de aperfeiçoamento profissional. Em nota nesta quinta-feira, o ministro afirmou que cederá todas as suas cotas e as de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira, e que os recursos delas serão destinados a fins sociais e educacionais. Mendonça permanecerá associado às atividades acadêmicas do instituto, apenas como professor. O magistrado informou ainda que o Iter será transformado em uma entidade sem fins lucrativos, e que jamais teve lucro com o instituto. A saída ocorre em meio a questionamentos sobre contratos públicos firmados com o instituto fundado por Mendonça. Segundo reportagem da Revista Fórum, o Iter teria realizado 54 contratos e instrumentos de contratação pública sem prévia licitação. Juntos, os contratos somariam R$ 10,46 milhões. A reportagem ressalva que a contratação direta, sem prévia licitação pública, não configura irregularidade, mas chama atenção para a dimensão e a recorrência do instrumento na relação do Iter com o poder público. Entre os contratos, a Fórum destaca a contratação, em setembro de 2025, pela gestão Ricardo Nunes (MDB) na Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 380 mil para desenvolver dois cursos de aperfeiçoamento aos servidores municipais em três meses. Também cita um contrato de R$ 1,6 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Firmado em maio deste ano, o contrato prevê a capacitação profissional de empregados públicos da FDE. Após o anúncio de Mendonça, o Iter também divulgou uma nota comunicando a sua saída. "Nesses dois anos de atuação, os cursos, eventos, contratos públicos e privados bem como todas as ações institucionais do Instituto Iter observaram a legislação aplicável e regras de boa governança e conformidade", diz o texto. A nota, assinada por Victor Godoy Veiga, presidente do Iter, também afirma que cursos e programas de formação são serviços técnicos especializados de natureza intelectual, cuja lei de licitações permite a contratação direta. "A razão é objetiva: programas de formação não são intercambiáveis. Cada um tem concepção pedagógica, conteúdo e corpo docente próprios, e não há como submeter a disputa de preço aquilo que não é comparável entre si. O corpo docente do Instituto Iter reúne profissionais de reconhecida trajetória em suas áreas, e é essa qualificação que fundamenta a escolha. Em todos os casos, a decisão sobre a modalidade de contratação é do órgão contratante, que instrui o processo com parecer jurídico próprio, justificativa de preço e autorização da autoridade competente, e o divulga de forma pública e transparente para toda a sociedade", afirmou. Godoy é diretor executivo do Iter e seguirá no cargo após a saída do ministro da sociedade. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi ministro da Educação, entre março e dezembro de 2022. A saída de Mendonça do instituto também ocorre um dia depois de o ICL revelar um encontro entre Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede do Iter, em São Paulo. O relator do inquérito que investiga as fraudes do Banco Master, que pertence a Vorcaro, confirmou o encontro e disse que recebeu o ex-banqueiro "uma única vez, em março de 2025" e que "limitou a ouvi-lo". Leia a íntegra da nota: "O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira. As cotas, e eventuais valores a elas correspondentes, permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme o ministro já havia decidido e anunciado no início deste ano. Criado em 2024, o Instituto Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social. O ministro jamais auferiu lucro do instituto. A decisão foi tomada em 2 de setembro de 2026, quando o ministro, em conversa com o presidente do Instituto, Victor Godoy, orientou que se tomassem as providências necessárias nos termos aqui descritos. Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor".