Há milhares de anos, tentamos criar companheiros caninos ideais. Aperfeiçoamos as habilidades deles para a execução de uma série de tarefas, além de remodelar e refinar seus corpos. E fizemos tudo isso sem recorrer a nada mais sofisticado do que a boa e velha reprodução seletiva.
Agora, nossos esforços de engenharia canina estão entrando em uma nova era. No início do mês passado, a startup de biotecnologia Kindred Companion Sciences, sediada em Nova York, anunciou ter usado a técnica Crispr para criar os primeiros cães hipoalergênicos geneticamente editados. Graças a uma única alteração genética, dois beagles parecem incapazes de produzir uma proteína que pode deixar algumas pessoas com os olhos vermelhos e respiração ofegante.
Ainda assim, há um longo caminho entre o laboratório e o colo dos tutores de animais de estimação nos Estados Unidos. Já se passaram dois anos e meio desde que cientistas anunciaram um gato hipoalergênico geneticamente editado, mas esses felinos ainda não estão disponíveis ao público.
Na avaliação de especialistas, são necessários mais dados para determinar se a Kindred cumpriu sua promessa de criar cães hipoalergênicos.
A edição de um único gene é capaz de evitar de forma confiável os sintomas de alergia em humanos? Uma questão ainda mais crucial: o que isso significa para os cães? Nossos esforços para criar animais de estimação mais convenientes para nós terão consequências imprevistas para a saúde deles?






