Pequenos negócios também têm maior facilidade para obter crédito graças às informações coletadas com meios de pagamento eletrônico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A digitalização dos serviços financeiros transformou a maneira como micro e pequenos empreendedores administram seus negócios. A adoção de meios de pagamento digitais acompanha as novas exigências do mercado, marcadas pela popularização do Pix para pessoas jurídicas, dos links de pagamento e de ferramentas simplificadas de cobrança. Além de facilitar e viabilizar transações, essas soluções geram uma grande quantidade de dados sobre o fluxo financeiro das empresas, permitindo análises de crédito mais precisas e ganhos de eficiência operacional, uma vez que a unificação de ferramentas financeiras reduz etapas e simplifica processos. Trata-se de uma mudança significativa que trouxe benefícios ao pequeno negócio, que enfrentava uma barreira dupla para se relacionar com um banco: “Papelada extensa e exigência de relacionamento prévio”, conta o coordenador de acesso a crédito e investimentos do Sebrae, Giovanni Beviláqua. “As contas digitais reduziram essa barreira quase a zero. Hoje é possível abrir uma conta PJ em poucos minutos, sem visita à agência e, na maioria dos casos, sem tarifa de manutenção.” Além disso, o ganho mais importante, segundo Beviláqua, está em quem lida com política de crédito para pequenos negócios, pois as contas passaram a gerar um rastro de dados financeiros que não existia de forma organizada para boa parte dos empreendedores. “Esse histórico é a matéria-prima que, no médio prazo, viabiliza uma análise de crédito mais precisa”, diz. “Sem os dados, o pequeno negócio depende quase inteiramente de garantia real ou de fiador, o que exclui justamente quem está começando.” “Quanto mais amplo o relacionamento com o cliente, maior tende a ser o conhecimento sobre seu perfil financeiro”, frisa Cláudio Limão, diretor de emissão, empréstimos e seguros do PagBank. O banco digital oferece um ecossistema de soluções financeiras e de pagamentos, sendo possível, inclusive, encontrar ofertas de crédito pré-aprovadas para clientes elegíveis. Na mesma linha, o diretor de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, Júlio Lopes, compara o momento atual da análise de crédito com a mudança do filme preto e branco para colorido. “Recentemente, tivemos uma evolução do cadastro positivo, que nos forneceu mais informações dessa empresa a fim de conceder um crédito mais qualificado. Perdemos, então, a miopia, mas ainda não chegamos no cinema 4k”, afirma. “Antes, olhava-se somente para o dado negativo. Ou seja, a empresa está negativada. Logo, não tem crédito.” Contudo, segundo Lopes, para o pequeno negócio, o efeito mais concreto não é tecnológico, é de fluxo de caixa. Há 20 anos, relembra ele, havia dinheiro e cheque, “que não se sabia se tinha fundos no fim do dia”. Depois, veio o cartão de crédito tradicional, “que paga depois de dias, às vezes semanas”. Por fim, temos o Pix. “Para quem trabalha com margem apertada e sem reserva de capital de giro, essa diferença de prazo pesa mais do que qualquer discurso sobre inovação.” Os números do Banco Central deixam pouca dúvida sobre o tamanho da mudança. Em 2025, o Pix somou quase 80 bilhões de transações, crescimento de 25,7% sobre 2024, movimentando mais de R$ 35 trilhões, alta de 33,8% em valor, segundo o mais recente “Relatório de Gestão do Pix”. Chama atenção também a composição: 43% das transações já são de pessoa física pagando pessoa jurídica, quatro pontos percentuais a mais que no ano passado. “O Pix deixou de ser só uma ferramenta de transferência entre amigos e se tornou, de fato, meio de pagamento do comércio”, diz Beviláqua, do Serasa. Já na rotina operacional, a mudança mais sentida é a integração, conta Beviláqua. Antes, cada meio de pagamento tinha sua própria conciliação, “muitas vezes manual, em planilha ou até em caderno”, diz. As contas digitais de hoje reúnem Pix, boleto e maquininha, e até emissão de nota fiscal num único painel. “Além de a maioria dos empreendedores não ter conhecimento, a reunião de inúmeras funções em um único painel economiza tempo para aquele que também é vendedor, estoquista e, até, entregador. Para ele, tempo é o recurso mais escasso que existe”, diz Daniel Davanço, diretor-sênior de PMEs do Mercado Pago, que lançou, no ano passado, a “conta negócios”, plataforma que agrupa diversas funcionalidades, como fluxo de caixa e acesso a crédito.