Setor avança sobre novos serviços e deve movimentar US$ 44 bilhões até 2028, segundo projeções 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ignacio Estivariz: “Evolução no mundo dos pagamentos no Brasil tem sido extraordinária” — Foto: Divulgação De repositório de cartões para pagamentos no ponto de venda, as carteiras digitais se transformaram em centros completos de conveniência, serviços e identidade digital. Em alguns casos, evoluíram para funcionar como bancos digitais, oferecendo uma gama de serviços financeiros, na esteira da expansão da digitalização e bancarização no Brasil, da popularização do Pix e da incorporação da trilha de pagamentos no Open Finance. Nem toda wallet tem o mesmo escopo de atuação. “Elas escalaram à medida que aumentou a digitalização dos pagamentos, que as fintechs cresceram e que houve mudanças técnicas e regulatórias, como Open Finance e o Pix, fundamentais para democratizar os pagamentos digitais e a escalada das plataformas”, analisa Alberto Serrentino, cofundador do Instituto Retail Think Tank (IRTT) e fundador da Varese Retail. “O Brasil tem penetração alta de produtos e bancos digitais e o Pix foi uma grande alavanca. Se olhar para cinco ou dez anos atrás, a evolução no mundo dos pagamentos e das finanças no Brasil tem sido extraordinária”, concorda Ignacio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago Brasil. A partir de uma análise com base em dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), o Ebanx projeta que, no Brasil, as carteiras digitais vão crescer a uma taxa anual composta de 13% até 2028, quando devem movimentar US$ 44 bilhões. “A carteira digital foi o método de pagamento que mais cresceu no e-commerce brasileiro em 2025: 20% em relação ao ano anterior, ultrapassando os boletos bancários e se tornando o terceiro meio mais usado para compras on-line, com 9% de participação no valor total do e-commerce”, afirma Leandro Carmo, diretor-regional do Brasil no Ebanx. Em vez de encarar o Pix como concorrente, as carteiras digitais viram na sua crescente popularização uma oportunidade de atrair novos clientes e construíram em cima dele soluções que até então não estavam disponíveis para a maior parte da população. “A recorrência é um exemplo. Antes mesmo do lançamento do Pix automático, as carteiras digitais já ofereciam a seus clientes a possibilidade de usar o Pix para pagar assinaturas mensais de forma automatizada”, lembra Carmo. Rafael Aquino, diretor de produto de experiência móvel da Samsung Brasil, pondera que o Pix e as carteiras digitais cumprem papéis distintos. “A evolução das carteiras digitais passa pela capacidade de incorporar meios de pagamento presentes na rotina das pessoas e reuni-los em uma experiência simples e segura”, diz Aquino. Para Ivan Patriota, líder de parcerias de comércio para a América Latina do Google, o ecossistema de wallets expande-se em valor estratégico. “Esse movimento é impulsionado pela consolidação dos pagamentos por aproximação e a digitalização do transporte público atua como um vetor crucial de recorrência e engajamento”, afirma o executivo. Como exemplo, cita a parceria com a Prefeitura de Piracicaba (SP) para a Pira Mobilidade, que viabilizou a aquisição de passagens no transporte coletivo via Pix com integração nativa ao WhatsApp e à carteira do Google. A ampliação da base de usuários também proporcionou às carteiras um relacionamento constante com o usuário e o acesso ao histórico de comportamento e ao perfil de gastos, levando ao desenvolvimento de produtos diversificados. O Mercado Pago oferece investimentos, cartão de crédito, pagamentos por aproximação e recargas de celular. “Nossa suíte de produtos é muito abrangente. Algumas outras instituições seguiram o mesmo caminho, enquanto as big techs estão focando nas wallets e incentivando pagamento com NFC (tecnologia de aproximação)”, observa Estivariz. A Samsung Wallet integra cartões de crédito e débito, Pix, Samsung Pass, Samsung Rewards, cartões de fidelidade, cupons, ingressos e credenciais digitais, além de recursos como cartões de embarque e chaves digitais. “Nosso papel é organizar o acesso a serviços de parceiros em um único ambiente, com segurança, transparência e autorização do usuário”, afirma Aquino, para quem a tendência é que as carteiras concentrem mais credenciais, reduzindo a necessidade de alternar entre diferentes aplicativos. A disputa pela preferência na tela principal do usuário migrou da competição por tarifas para a capacidade de entregar uma experiência de uso fluida, integrada e segura. “A posição do Google é colaborativa e capacitadora. Não atuamos como instituição financeira nem concorremos com os agentes do mercado, mas fornecemos a infraestrutura tecnológica e APIs abertas que permitem a bancos, fintechs e varejistas conectar seus serviços à nossa base de usuários com fricção mínima”, reforça Patriota.
Carteiras digitais incorporam novas funções e centralizam a rotina
Setor avança sobre novos serviços e deve movimentar US$ 44 bilhões até 2028, segundo projeções








