Cientista político explica que, ainda que não contem como voto válido, opção de não escolher candidatos também pode contribuir para líderes da disputa eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Urna eletrônica — Foto: Divulgação/TRE-MT Votos em branco e nulos não são destinados a nenhum candidato ou partido e não são considerados na definição do vencedor de uma eleição. Apesar disso, a quantidade de votos inválidos pode ter efeito indireto sobre a disputa e determinar, por exemplo, se uma eleição para o Executivo termina no primeiro turno ou segue para o segundo. O voto em branco ocorre quando o eleitor opta pela tecla correspondente a essa opção na urna eletrônica, sem escolher nenhum candidato. Já o voto nulo é registrado quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhuma candidatura válida ou utiliza a urna de forma a invalidar o voto. Nos dois casos, o voto é considerado inválido e não entra na apuração dos votos válidos. Já um voto válido é aquele destinado a um candidato ou, nas eleições proporcionais, a uma legenda, e é a partir desse conjunto de votos que os resultados são calculados. "Tanto se você não for votar, quanto se apertar branco ou anular, o voto não conta para ninguém", diz a cientista política e secretária executiva da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) Luciana Santana. "Ainda assim, o que acontece é que, se há muita abstenção ou muitos votos inválidos, isso pode, sim, favorecer outros candidatos, inclusive no sentido de resolver uma eleição num primeiro turno", continua a cientista política, que também leciona na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). De acordo com Santana, disputas eleitorais sem ao menos três candidaturas "minimamente competitivas" -- que concentrem um alto volume de votos válidos -- podem ser definidas mais rapidamente: com menos opções de candidatos para dividir os votos válidos, grandes quantidades de votos inválidos encurtam o caminho para o líder alcançar a maioria de votos necessária para ser eleito. "Se você tem uma eleição com mais de dois nomes competitivos, a chance de levar a disputa para o segundo turno é grande", explica. Para Santana, há várias explicações para a escolha por um voto em branco ou nulo. "Desencantamento com a política, não encontrar entre as alternativas algo que contemple o que o eleitor tem como percepção de política, desconhecimento das opções de candidatos por não se preparar antes da eleição e, por não conhecer as propostas, preferir se eximir", diz. "O eleitor tem liberdade de escolha. Democracia também é ter opção de não precisar escolher opção", continua. "Não ir votar ou anular o voto mostra que você não está satisfeito, mostra descontentamento, mas não contribui para mudanças que desejamos."
Voto nulo ou em branco vai para quem nas eleições 2026? Entenda
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