Steinbruch, de 73 anos, que passou 25 deles como CEO da CSN, vai presidir o conselho de administração da companhia. Ele afirma que a sucessão já era pensada há pelo menos três anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Benjamin Steinbruch — Foto: Rogerio Vieira/Valor Benjamin Steinbruch, CEO e controlador da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), está deixando a presidência do negócio. Quem assume o cargo a partir de hoje (3) é o executivo Fabio Schvartsman, que foi presidente da Vale entre 2017 e 2019. A passagem de Schvartsman pela mineradora ficou marcada pela tragédia de Brumadinho (MG), após o rompimento de uma barragem no município, em janeiro de 2019, que deixou mais de 270 mortos e provocou graves danos ambientais. O executivo é um dos réus em processo criminal. Antes, o engenheiro de produção, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, foi diretor-geral da Klabin, de papel e celulose, por seis anos, e fez carreira no grupo Ultra, de energia, infraestrutura logística e mobilidade, onde ficou por 22 anos em cargos executivos. Após a saída da Vale, passou a integrar o conselho da Vibra (ex-BR Distribuidora), distribuidora de combustíveis e comercializadora de energia. Steinbruch, de 73 anos, vai presidir o conselho de administração da companhia. O empresário ficou na presidência do grupo por quase 25 anos. Segundo Steinbruch, a sucessão da companhia já era pensada há pelo menos três anos. “Tive a oportunidade de conversar com o Fabio há uns cinco meses e achei que era a pessoa indicada para assumir essa posição”, afirmou. Steinbruch disse que o executivo tem “experiência, vivência e consistência executiva” para ocupar o cargo. No mercado e na Faria Lima, a expectativa era a de que a filha do empresário, Victoria, estivesse sendo preparada para suceder ao pai nos negócios da família. Victoria, que já foi apresentada como diretora adjunta da CSN, assessora seu pai nos negócios e voltou a ocupar um assento no conselho de administração da CSN Mineração em abril. Outro filho do empresário, Felipe, está à frente do braço de venture capital do grupo, a CSN Inova. A troca na direção da CSN acontece em meio a um processo de venda de ativos, para desalavancar o grupo. A CSN deve receber ainda nesta semana as ofertas vinculantes para uma fatia do seu negócio de infraestrutura, afirmou Steinbruch, acrescentando que as propostas devem “surpreender em número e qualidade”. A empresa planeja vender de 20% a 30% do segmento. A companhia também já recebeu, em agosto, propostas para a venda da CSN Cimentos, que “estão seguindo o cronograma” esperado pela empresa, de acordo com o empresário. O Valor apurou que o negócio de cimento foi avaliado em R$ 12 bilhões. As ações da companhia subiram nesta semana com a expectativa de avanço da venda da divisão de cimentos. Ontem, os papéis fecharam a R$ 5,98, com alta de 4,18%. No ano, porém, ainda recuam 31,26%. Steinbruch avalia que sua saída da direção da companhia, e a chegada de Schvartsman, serão vistas com surpresa pelo mercado, mas de forma positiva. “Muita gente tinha preocupação com essa questão da sucessão”, disse. Ainda de acordo com ele, a empresa passa por um momento de “mexida importante” em seus negócios, rentabilidade, investimentos e liquidez, e a vinda de um executivo de fora do grupo ajuda a trazer uma “visão mais pragmática” ao negócio. “Fiquei com muito amor a todos os ativos que a gente fez, em empresa familiar industrial, eles parecem filhos da gente”, afirmou, comparando a CSN Cimentos a um “filho mais novo”. A expectativa é que Schvartsman faça as negociações andarem “mais rápido e melhor”. Steinbruch é conhecido no mercado por não se desfazer de ativos e cancelar a venda de negócios na última hora. Os desinvestimentos são esperados pelo mercado financeiro como forma de reduzir a alavancagem do grupo industrial, que fechou o segundo trimestre com R$ 42,1 bilhões de dívida líquida, alta de 18% em um ano. O endividamento, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou em 3,49 vezes, ante 3,24 vezes no mesmo período de 2025. Em relatórios, analistas apontaram indicadores operacionais positivos no trimestre, mas há a ressalva sobre o endividamento. A equipe do BB Investimentos classificou o fator como “o principal ponto de atenção para a tese”. No conselho da CSN, Steinbruch pretende se dedicar à estratégia e ao desenvolvimento de novos negócios. Fora do grupo, também quer trabalhar “mais a sério” com agronegócio, algo que conta gostar e que pensava que seria sua carreira, antes de migrar para a indústria. Outro motivo para sua saída é a vontade de estar mais próximo da família. “Tive cinco netos em 14 meses, veio tudo junto”, afirmou. “Quero poder ter uma convivência diferente [com eles], mais calma, do que tive com meus filhos”. Questionado sobre o potencial impacto da indicação de Schvartsman à presidência do grupo por causa do processo acerca do rompimento da barragem da Vale, Steinbruch disse confiar no executivo. “É uma das pessoas mais bem preparadas que conheço, um homem honesto, franco e correto. Um executivo brilhante com uma capacidade de trabalho incomum”, afirmou. Em agosto passado, decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) indeferiu um recurso da defesa do ex-presidente da Vale para tirá-lo da lista de réus do processo criminal, que envolve a acusação por homicídio duplamente qualificado, além de crimes ambientais. Na ocasião, 272 pessoas morreram. Schvartsman foi procurado pelo Valor, mas não comentou o assunto nem a entrada na CSN. “Entendo a dor de todos que perderam alguém em Brumadinho e sou solidário a todos eles. E tenho certeza de que Fabio voltará a provar sua inocência, como já fez em 2024, quando a Justiça havia encerrado a ação contra ele”, afirmou Steinbruch. Em abril deste ano, uma decisão do STJ voltou a implicar Schvartsman entre os réus, o que foi reforçado com a decisão de agosto.
Benjamin Steinbruch deixa presidência da CSN e Fabio Schvartsman, ex-Vale, será CEO
Steinbruch, de 73 anos, que passou 25 deles como CEO da CSN, vai presidir o conselho de administração da companhia. Ele afirma que a sucessão já era pensada há pelo menos três anos







