Quatro anos atrás, durante as celebrações do 7 de Setembro, o então presidente Jair Bolsonaro desfilou em um carro de som com a frase “voto limpo e transparente”. Às vésperas do primeiro turno, os ataques ao sistema eletrônico de votação ocupavam um lugar central em sua campanha, enquanto milhares saíam às ruas pedindo o chamado “voto auditável”.
Nas redes, uma onda de conteúdos colocava as urnas sob suspeita. Não era o início dessa desconfiança, mas um momento-chave no qual o sentimento de distanciamento em relação ao sistema eleitoral encontrou uma interlocução política declarada e passou a ser traduzido, de forma organizada, em desconfiança no sistema eletrônico de votação.
Do outro lado, o Tribunal Superior Eleitoral tentava conciliar uma dupla tarefa: desmentir as notícias falsas que circulavam sobre o processo eleitoral e, ao mesmo tempo, promover campanhas em defesa da integridade das urnas eletrônicas. Nesse processo, a própria instituição também se tornou alvo dos ataques.
Enquanto conteúdos e grupos mobilizados para questionar e atacar o sistema eleitoral ganhavam espaço e visibilidade, eram menos frequentes as manifestações espontâneas de indivíduos que faziam o movimento contrário, de afirmar publicamente sua confiança nas urnas e defender as eleições.








