O tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a compra do controle da CRDC (Central de Registro de Direitos Creditórios) pela B3, ampliando o poder de mercado da Bolsa de Valores brasileira.

A CRDC é uma empresa que atua no registro de ativos financeiros, como duplicatas, CDBs (Cédulas de Crédito Bancário), CPRs (Cédulas de Produto Rural) e notas promissórias. A companhia presta serviços para instituições como bancos, fintechs, fundos de recebíveis, factorings e securitizadoras. O registro permite identificar os direitos creditórios e dar segurança às operações de crédito que têm esses ativos como lastro.

Os conselheiros decidiram dar aval ao negócio após um acordo firmado com a empresa, que está em sigilo. A área técnica do Cade havia sugerido a reprovação da operação, após identificar que a B3 concentraria ainda mais o mercado.

A CRDC é controlada pela Associação Comercial de São Paulo, que é sua atual única acionista. O negócio em análise pelo Cade prevê que a B3 compre 60% da empresa e estabeleça, ao mesmo tempo, um acordo de parceria com a CRDC e a associação. A operação coloca a B3, que já tem forte presença na infraestrutura do mercado financeiro, em um segmento no qual a CRDC é uma das empresas que fazem o registro de ativos.