É uma experiência bastante agradável assistir a "Minha Melhor Amiga". Como se sabe, Ingrid Guimarães e Mônica Martelli estão presentes nos palcos, telas e talk shows há décadas, em comédias inspiradas em questões biográficas e geracionais.

E não raro riem e fazem em confissões escancaradas das próprias dores e tropeços. Por isso, ver o filme é um pouco como acompanhar uma nova aventura de alguém que conhecemos bem. Tão bem que conseguimos inclusive antecipar falas, decisões, gestos. Mesmo sem querer, acabamos torcendo por elas, ao mesmo tempo em que implicamos com suas falas e decisões.

Dirigido por Susana Garcia, o longa trata de Clara, papel de Guimarães, e Júlia, vivida por Martelli, duas amigas de mais de 50 anos que, insatisfeitas respectivamente com o casamento e o trabalho, decidem passar férias em Lisboa, onde as filhas adolescentes fazem intercâmbio.

Não causam surpresa os ingredientes da história, que vão dos diálogos sobre reposição hormonal, escape de urina e intestino preso a momentos de romance com vista para o Tejo.

Garantem, porém, boas risadas, alguma identificação e o prazer de assistir a uma espécie de versão brasileira da última temporada de "Sex in the City". Alguns figurinos e os cachos dourados de Guimarães funcionam como expressão dessa filiação direta, ainda que o escracho das cariocas esteja a um oceano de distância do léxico de Carrie, mais literário e romântico.