Pequim assina acordos para ampliar investimentos na Zona Econômica do Canal de Suez, enquanto busca aumentar sua influência na região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente chinês, Xi Jinping (esq.), ouve seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, em sua chegada ao Aeroporto Internacional do Cairo — Foto: AFP Em sua primeira visita ao Egito em uma década, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que os países do Oriente Médio devem ser "mestres de seu próprio destino" e explorar uma nova "arquitetura de segurança" regional. A visita de Xi ao Cairo, que antecede um encontro previsto com o presidente americano, Donald Trump, ainda este mês, ocorre em um momento em que Pequim busca ampliar sua influência sobre um tradicional parceiro de segurança dos Estados Unidos, em uma região assolada pela guerra. Na ocasião, o chinês e seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, concordaram em expandir o investimento na Zona Econômica do Canal de Suez e assinaram acordos de cooperação em inteligência artificial, comércio e cadeias de suprimentos, entre outras áreas econômicas. Em uma referência velada aos EUA, Xi pediu às "grandes potências de fora da região" que "abandonem o padrão dos dois pesos e duas medidas" e respeitem a soberania e a integridade territorial dos países da região, segundo o comunicado da Xinhua. — Devemos defender o princípio de que os povos do Oriente Médio são donos de seus próprios assuntos, nos opor à interferência externa e apoiar os países da região no fortalecimento do diálogo sobre a paz e a segurança — disse Xi a Sisi durante o encontro, de acordo com a Xinhua, agência de notícias oficial chinesa. Na reunião, segundo a Presidência egípcia, os dois países, membros do grupo Brics de economias emergentes, assinaram um acordo para lançar a terceira fase da zona industrial conjunta egípcio-chinesa, que já abriga 200 empresas e investimentos avaliados em cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões, na cotação atual). O Egito não divulgou os valores dos novos aportes, mas eles conferem a Pequim uma presença ainda maior na Zona Econômica do Canal de Suez. Presidente chinês (centro à esquerda) com seu homólogo egípcio e suas esposas assistem à apresentação de artistas egípcios durante uma cerimônia de boas-vindas no Cairo — Foto: AFP A China, ainda de acordo com a Xinhua, afirmou estar disposta a trabalhar com "todos os países" para salvaguardar as rotas marítimas internacionais e "eliminar os focos de conflito", uma questão que ganhou maior relevância depois que o conflito no Irã interrompeu o tráfego pelos estreitos de Ormuz e de Bab al-Mandeb. A visita ao Egito também busca demonstrar que Pequim tem aliados mesmo dentro da própria esfera de influência de Washington. No mês passado, o governo Trump prometeu isolar economicamente o Irã e ameaçou ampliar as sanções a seus parceiros econômicos. A China compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã. O Egito, que recebe cerca de US$ 1,3 bilhão (aproximadamente R$ 6,9 bilhões, na cotação atual) anualmente em ajuda militar de Washington, tem aumentado constantemente a cooperação econômica e militar com a China nos últimos anos. Em um artigo publicado antes da visita, segundo a agência Reuters, Sisi afirmou que o Egito buscava uma política de "equilíbrio estratégico" em um momento de crescente rivalidade global. Parceiro estratégico Para a China, a influência regional e a localização estratégica do Egito fazem dele um parceiro importante, à medida que Pequim busca um papel econômico mais amplo e tenta diminuir a influência dos EUA na região. Na visita, Xi saudou a China e o Egito como "irmãos próximos" unidos por uma história compartilhada de luta contra o imperialismo. Xi está no Egito para celebrar os 70 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A China, maior parceiro comercial do Egito, tem expandido seus investimentos no país. Montadoras chinesas assinaram acordos para a produção local de veículos, e empresas chinesas contribuíram para a construção de infraestruturas importantes do Cairo, como a nova capital administrativa e uma linha de metrô leve. Sede do Canal de Suez e com população superior a 110 milhões de habitantes, o Egito é um mercado importante para a China, tendo importado cerca de US$ 10 bilhões em produtos chineses apenas no primeiro semestre deste ano. O investimento chinês no país cresceu rapidamente desde a visita de Sisi à China e a assinatura de um acordo de parceria estratégica em 2014, com empresas chinesas investindo bilhões em portos de contêineres, projetos de hidrogênio verde e instalações para fabricação de tubos de ferro, pneus de automóveis e satélites. Os crescentes laços militares entre os dois países ficaram evidentes no mês passado durante os exercícios "Águias da Civilização", que reuniram forças do Egito e da China e incluíram um raro exercício de combate aéreo envolvendo jatos J-16, de fabricação chinesa, e aeronaves Rafale, de fabricação francesa. Para Ding Long, professor do Instituto de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, faz sentido que países como o Egito busquem fortalecer os laços com a China em um momento em que aliados dos EUA questionam a confiabilidade de Washington como parceiro. — A cooperação entre os dois lados está se aprofundando e se expandindo, incluindo novas áreas, como questões militares e de segurança. Não se pode colocar todos os ovos na mesma cesta e depender exclusivamente dos EUA. É preciso diversificar. E, dentro dessa diversificação, a China é um parceiro muito importante. Com AFP e New York Times
Líder chinês pede que 'grandes potências' respeitem a soberania do Oriente Médio durante visita ao Egito, aliado de segurança dos EUA
Pequim assina acordos para ampliar investimentos na Zona Econômica do Canal de Suez, enquanto busca aumentar sua influência na região










