Presidente da China afirmou que os países da região deveriam ser 'senhores de seu próprio destino' e explorar uma nova 'arquitetura de segurança' regional 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da China, Xi Jinping, ouve seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, após chegar ao Aeroporto Internacional do Cairo, no Egito, em 1º de setembro de 2026 — Foto: Khaled Desouki/Pool via REUTERS O presidente da China, Xi Jinping, pediu aos países do Oriente Médio que se oponham à interferência externa e considerem reformular a ordem de segurança da região durante uma visita ao Egito nesta quarta-feira. A declaração foi feita enquanto Pequim busca ampliar sua influência em meio à guerra dos Estados Unidos contra o Irã. A primeira viagem de Xi ao Oriente Médio em quatro anos ocorre no momento em que parceiros dos EUA na região reavaliam suas relações estratégicas após meses de conflito que prejudicaram o comércio, abalaram economias e levantaram questionamentos sobre o papel de Washington no longo prazo. O Egito, que é um importante parceiro de defesa dos EUA e recebe cerca de US$ 1,3 bilhão por ano em ajuda militar de Washington, vem ampliando de forma constante a cooperação econômica e militar com a China nos últimos anos. Recebido pelo presidente Abdel Fattah al-Sisi com uma cerimônia militar no Cairo, Xi afirmou que os países da região deveriam ser “senhores de seu próprio destino” e explorar uma nova “arquitetura de segurança” regional, segundo a agência estatal de notícias chinesa Xinhua. Xi também disse que a China está pronta para trabalhar com os países da região para proteger as rotas marítimas, uma questão que ganhou maior importância depois que o conflito prejudicou o tráfego pelo Estreito de Ormuz e por Bab al-Mandeb. Os líderes concordaram em aprofundar a cooperação em segurança e a coordenação no combate ao terrorismo, segundo a Xinhua. Os dois lados ainda têm planos de ampliar a cooperação em data centers, semicondutores e cadeias de suprimentos de metais críticos e fortalecer o uso das moedas de ambos no comércio e nos investimentos, de acordo com um comunicado conjunto. ‘Equilíbrio estratégico’ Para o Egito, laços mais fortes com a China fazem parte de um esforço mais amplo para diversificar suas parcerias internacionais. Em um artigo publicado antes da visita, Sisi afirmou que o Egito segue uma política de “equilíbrio estratégico” em um momento de crescente rivalidade global. “O Egito quer ampliar o círculo de suas relações com as grandes potências mundiais, incluindo a China”, disse à Reuters o ex-diplomata egípcio Ayman Zaineldine. “Portanto, as visões convergem.” Para a China, a influência regional e a localização estratégica do Egito fazem do país um parceiro importante à medida que Pequim busca ampliar seu papel econômico e tenta reduzir a influência dos Estados Unidos na região. “O Egito representa algo bastante valioso para Pequim — um grande mercado interno para oportunidades de investimento e um peso diplomático considerável na região, inclusive na questão palestina, além da conexão com a África”, afirmou H. A. Hellyer, pesquisador do centro de estudos Royal United Services Institute. O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, participa de uma reunião com o presidente da China, Xi Jinping, durante a visita oficial de Xi ao Egito, sua primeira visita de Estado ao país em 10 anos, no Palácio Presidencial de Ittihadiya, no Cairo — Foto: Presidência do Egito/Divulgação via REUTERS O fortalecimento dos laços militares ficou evidente no mês passado durante os exercícios “Águias da Civilização” entre Egito e China, que incluíram um raro exercício de combate aéreo envolvendo caças J-16 de fabricação chinesa e aeronaves Rafale de fabricação francesa. O entusiasmo com a visita do presidente chinês está evidente há dias na capital egípcia, onde as ruas foram decoradas com bandeiras chinesas e imagens de locais emblemáticos, incluindo a Esfinge do Egito e a Grande Muralha da China. Laços econômicos se ampliam Sede do Canal de Suez e com uma população de mais de 110 milhões de habitantes, o Egito é um mercado importante para a China, tendo importado cerca de US$ 10 bilhões em produtos chineses apenas no primeiro semestre deste ano. Os investimentos chineses aumentaram rapidamente desde que Sisi visitou a China e assinou um acordo de parceria estratégica em 2014, com empresas chinesas investindo bilhões de dólares em portos de contêineres, projetos de hidrogênio verde e instalações para a fabricação de tubos de ferro, pneus de automóveis e satélites. O governo egípcio afirma que a Zona Econômica do Canal de Suez atraiu cerca de US$ 4 bilhões em investimentos chineses. Nesta quarta-feira, autoridades egípcias anunciaram planos para ampliar uma área industrial desenvolvida pela China na zona, enquanto o ZC Rubber Group assinou um acordo preliminar para estudar um complexo de fabricação de pneus de US$ 500 milhões. O presidente da China, Xi Jinping, segundo à esquerda, e sua mulher, Peng Liyuan, à esquerda, são recebidos pelo presidente do Egito, Abdel-Fattah el-Sissi, à direita, e sua mulher, Entissar Amerupon, ao chegarem ao Aeroporto Internacional do Cairo, no Cairo — Foto: Yin Bogu/Xinhua via AP