Estratégia é alavancar venda do e-commerce da rede varejista e ampliar operação logística própria entre gigantes da internet 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Centro de Distribuição do Magalu em SP: varejista fez parceria com Mercado livre para oferecer produtos no marketplace — Foto: Germano Lüders / Divulgação O grupo Magalu deu novo passo em sua estratégia para reforçar a presença no ambiente digital. A companhia passará a oferecer os mais de 27 mil produtos do Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos aos clientes do Mercado Livre, uma das principais plataformas de e-commerce do país. Com a parceria, a operação de entrega será feita pelo Magalog, operador logístico independente do Magalu que reúne 21 centros de distribuição, 1.300 lojas e 700 mil metros quadrados de estoque. O acordo marca também uma tendência cada vez mais forte do varejo, que une as operações físicas e online das companhias. Recentemente, o grupo Magalu fez acordos semelhantes com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo. Em entrevista ao GLOBO, Frederico Trajano, CEO do Magalu, disse que, após a diversificação do portfólio, com a compra de diversas marcas no ambiente online, a busca agora é ampliar esse ecossistema em um contexto macroeconômico difícil. --- No ambiente digital há uma fragmentação grande da audiência. E mesmo com esse cenário macroeconômico, decidimos transformar esses concorrentes em parceiros. Mas essa relação precisa ser benéfica. Por isso, a nossa ideia é que o nosso braço logístico passe também a transportar os produtos além de nossas marcas nessas plataformas - antecipa Trajano. Na tarde desta quarta-feira, as ações da Magazine Luiza lideram a alta do Ibovespa. O papel da empresa chegou a valorizar 24,5% na sessão. Às 15h30, subia 17,3%, aos R$ 5,42 Ampliação do braço logístico Segundo ele, hoje cerca de 30% do resultado do Magalog já vem de empresas de fora do seu ecossistema. Trajano lembra que em breve a companhia vai selar parceria de entrega para o próprio Mercado Livre e Amazon. --Nosso objetivo é escalar essa operação e reduzir os custos. Em uma segunda fase, os clientes do Mercado Livre vão poder comprar e retirar os produtos nas lojas da Magazine Luiza -- disse ele, lembrando que os canais digitais do Magalu têm uma base de cerca de 50 milhões de clientes. O acordo, no entanto, não envolve a marca Netshoes. Segundo o executivo, essa operação não entrou no acordo pois há restrições de venda pela internet para diversas marcas de moda e esporte. -- Nossa estratégia é somar a audiência de nossos canais às de outras plataformas relevantes como o Mercado Livre e, assim, acelerar o crescimento das nossas vendas online no curtíssimo prazo e de forma rentável", completou o executivo. Assim, os clientes do Mercado Livre vão encontrar categorias como eletroeletrônicos e móveis do Magazine Luiza; games e produtos de informática, da KaBuM!, e cosméticos e perfumaria da Época Cosméticos. O Magalog, que fará as entregas, possui mais de cem clientes externos e teve receita de R$ 3 bilhões em 2025. Em nota, Fernando Yunes, vice-presidente executivo e líder do Mercado Livre na América Latina, afirmou que a parceria representa um passo importante para o Mercado Livre. "É uma busca constante para levar uma oferta cada vez mais completa para os brasileiros. Com as marcas do grupo Magalu na plataforma, chegamos a mais categorias, mais produtos e mais opções para quem compra online”, reforçou na not A parceria em envios tem potencial para ampliação futura, com a possibilidade de que as lojas físicas do Magalu sejam usadas como pontos de retirada e devolução dos produtos vendidos por outros parceiros do Mercado Livre. Além disso, o Magalog poderá, ainda, ampliar as alternativas de entrega Na avaliação da Ativa Investimentos, o acordo tende a ser benéfico para ambos os lados: a Magalu ganha um novo canal de vendas com margens mais atrativas do que as obtidas por meio de mídia paga, enquanto o Mercado Livre amplia sua oferta em categorias nas quais ainda possui menor presença, como linha branca e móveis. Para a corretora, a iniciativa pode ajudar a Magalu a retomar o crescimento do comércio eletrônico em um momento em que o setor busca recuperar o ritmo dos anos anteriores. Já para o Mercado Livre, o principal ganho está na ampliação da oferta de eletrodomésticos e móveis, segmentos em que a empresa ainda não possui a mesma força observada em categorias de menor porte. "O Mercado Livre ganha acesso a produtos de linha branca e móveis, categorias em que ainda não possui boa penetração", destaca a Ativa. Crise das Casas Bahia O movimento ocorre em um momento considerado favorável pela corretora, diante das dificuldades enfrentadas pelas Casas Bahia), que está em recuperação judicial e já mantinha uma parceria semelhante com o Mercado Livre. O avanço da Magalu no ambiente online ocorre em um momento em que a companhia prentende avançar no varejo físico em meio ao processo de recuperação judicial das Casas Bahia, que anunciou recentemente o fechamento de dezenas de lojas pelo Brasil. Para o consultor Pedro André de Souza, da PC Consultoria em Varejo, as redes atuais vão tentar ganhar espaço nesse momento de fraqueza de companhias como as Casas Bahia. -- Há shoppings em que a Magalu passa a ser a única empresa presente. Isso vai ser captado pela empresa, que vai acelerar os investimentos, já que a concorrência no varejo físico é menor em relação ao ambiente online e ainda representa 85% do faturamento do setor - avalia Souza.