Propostas passam por temas como transição energética, políticas para competitividade industrial e integração com o setor elétrico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) apresentou um raio-x do segmento de distribuição de gás canalizado, com nove propostas para colocar o insumo como motor de crescimento da economia, da segurança energética e da descarbonização. As propostas passam por temas como transição energética, políticas para competitividade industrial e integração com o setor elétrico. O setor de distribuição de gás natural tem operações ativas em 19 Estados enquanto outras cinco unidades federativas possuem concessionárias em fase pré-operacional, aguardando a chegada de gasodutos na região. As empresas do setor investiram cerca de R$ 7,5 bilhões nos últimos cinco anos em manutenção de ativos e expansão de redes, o que corresponde a uma média anual da ordem de R$ 1,5 bilhão por ano, com geração de mais de 60 mil empregos, diretos e indiretos, aponta a Abegás. Ao mesmo tempo, o país produz muito gás natural, mas aproveita pouco. A entidade ressalta que no ano passado, o país registrou a produção de 179 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia), mas desse total, apenas 33% chegaram ao consumidor final. “A ideia é mostrar que o mercado de gás é um mercado de infraestrutura, que traz desenvolvimento para o Brasil. Com isso, você destrava toda a cadeia”, disse Marcelo Mendonça presidente da Abegás. A Abegás dividiu as propostas em três eixos de atuação: legislativas, regulatórias e de políticas públicas. Do lado legislativo, que exigiria a edição de novas leis, a entidade sugere medidas como a criação de uma câmara de comercialização de gás natural, nos moldes do que existe no setor elétrico, com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), para liquidação dos contratos negociados no mercado livre de gás. Pelo eixo regulatório, a Abegás sugere a criação de um gestor independente para as infraestruturas de gás natural. Esse gestor, explicou Mendonça, teria um papel de supridor de última instância, para garantir o fornecimento de gás em caso de quebras de comercializadoras de gás que impeçam a continuidade dos contratos. A Abegás propõe ainda política pública para a substituição do diesel por gás natural na frota pesada, resultando em uma demanda adicional de 30 milhões de m³/dia. A medida pode ser uma alternativa às importações do derivado, segundo Mendonça: “É importante a visão de viabilizar a infraestrutura para ter essa demanda eficiente.” Datacenters Outro tema que a entidade avalia ser importante é a inclusão do gás natural nos programas de incentivo à instalação de novos datacenters no Brasil, como alternativa às fontes renováveis previstas no Redata, marco regulatório dos datacenters em vias de ser votado no Congresso. Mendonça explicou que a ideia, neste caso, é colocar o gás como uma saída para a variabilidade das energias eólica e solar, uma vez que datacenters são infraestruturas críticas que demandam funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana. O gás natural, destacou, pode atender a todas as regiões do país, mesmo aquelas nas quais não há potencial elevado de geração renovável. “O datacenter não pode falhar, precisa ter 100% de suprimento. Ficar 100% lastreado a uma energia renovável requer um backup muito mais intenso, o que perderia sentido, já que essas plantas estão usando diesel como backup”, afirmou Mendonça.