Um ano depois de os Estados Unidos começarem a bombardear embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico, a ofensiva do governo Donald Trump matou ao menos 227 pessoas, porém sem produzir, até agora, sinais claros de redução da oferta de substâncias ilícitas no mercado americano.

Preços de cocaína permanecem em patamares semelhantes aos anteriores aos ataques, as apreensões nas fronteiras não diminuíram, e autoridades militares reconhecem que traficantes adaptam rotas e meios de transporte para escapar das forças dos EUA.

Segundo o governo Trump, a estratégia funciona. O Pentágono disse ao Congresso que o movimento de embarcações com drogas caiu 20% no Caribe e 25% no Pacífico Oriental, embora o Comando Sul, área militar dos EUA responsável por América Latina e Caribe, não divulgue métricas de eficácia.

Trump chegou a falar em queda de 98,2% no tráfico marítimo e a dizer que cada barco destruído salva 25 mil vidas, sem apresentar evidências.

Segundo relatório da Wola (Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos), não há, até agora, sinais de escassez de cocaína nos EUA.