A ordem do ministro André Mendonça que levou a Polícia Federal a elaborar um documento com análises dos diálogos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, seu colega de STF (Supremo Tribunal Federal), foi apresentada de surpresa em uma reunião na semana passada com integrantes da corporação.

A determinação criou o temor entre investigadores de que o avanço sobre Moraes e outras autoridades —como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues— pudessem ser vistas como um excesso e levar à anulação de apurações relacionadas ao Banco Master.

A ordem do ministro foi vista com desconforto por setores da Polícia Federal, que avaliaram a decisão como uma tentativa de conduzir a investigação, que cabe à corporação.

O material elaborado pela PF, que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º), mostrou uma série de trocas de mensagens entre o ministro e Vorcaro, inclusive uma na qual o ex-banqueiro questiona se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso ao tentar viajar para o exterior.

O encontro de Mendonça com integrantes da PF aconteceu em 24 de agosto, sob solicitação do próprio ministro. Ele tem se reunido com regularidade com as equipes que trabalham nas investigações relacionadas às operações Compliance Zero (sobre o Master) e Sem Desconto (de fraudes no INSS, que se desdobraram nas apurações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha).