As eleições legislativas nos EUA, em novembro, serão decididas pela frustração crescente entre os apoiadores de Donald Trump com sua incapacidade de conter a inflação. Em 2024, ele derrotou a segunda mulher que enfrentou afirmando que poderia acabar com a inflação "no primeiro dia".

A única maneira de alcançar esse objetivo tão rapidamente é fazer o que a Alemanha fez em novembro de 1923 para deter sua hiperinflação e o que o Brasil fez em julho de 1994: adotar uma moeda totalmente nova —o Rentenmark na Alemanha e o real no Brasil. A inflação generalizada é sempre causada pela injeção excessiva de dinheiro em uma economia. A equação é idêntica àquela que aprendemos em química: a equação de estado de um gás ideal. Mais moléculas, mais pressão.

Há muitas razões para criticar Trump nos planos econômico, social e constitucional.

Do ponto de vista econômico, um país prospera mais quando permite o comércio com quem as pessoas escolherem. Você sabe que isso é verdade. Se o Carrefour da rua Pamplona cobrar caro demais pelo leite, você sairá ganhando se tiver o direito de ir ao Assaí Atacadista na avenida Aricanduva em vez de encarar uma tarifa que o impeça de fazê-lo.

Trump não acredita nisso. Sua experiência em negociações hoteleiras —nas quais duas partes se enfrentam e negociam sem outras alternativas— molda sua compreensão da vida econômica. Assim, visando alguma vantagem na negociação, ou movido pela raiva, ele impõe tarifas ao Brasil —o que equivale a taxar as companhias aéreas dos EUA que desejam comprar aviões brasileiros.Socialmente, Trump tornou mais grosseiro o discurso nos EUA e no mundo. O Brasil ou os EUA —aliás, o mundo todo— só podem viver em paz se as pessoas forem tratadas com respeito liberal, ainda que apenas na teoria expressa publicamente. Trump não respeita esse princípio liberal. Seus heróis personificam o poder bruto, não o respeito liberal: Vladimir Putin, da Rússia, e não María Corina Machado, da Venezuela.