O relatório da Polícia Federal que teve o sigilo retirado nesta terça-feira 1º pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mostra uma atuação recorrente de Fábio Faria como intermediário entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens apreendidas no celular de Vorcaro indicam que o ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro ajudava a viabilizar os encontros, transmitia informações entre os dois e cuidava de detalhes logísticos das reuniões.

A primeira evidência aparece em 21 de dezembro de 2023, quando Faria pede a Vorcaro os dados dos carros para “autorizar a segurança a acompanhar na garagem”. O banqueiro pergunta se deve chegar às 11h e envia o modelo e a placa de seu Range Rover.

Cinco dias depois, em 26 de dezembro, Faria compartilha com Vorcaro o número que estava salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A PF registra que outros três contatos, todos associados ao mesmo número, também foram enviados por Faria.

No dia seguinte, 27, Faria volta a organizar um encontro. Ele escreve a Vorcaro: “Pode ser dia 30 o almoço?.” “Alex quer ir almoçar lá dia 30.”

Vorcaro responde: “Pode!”. Na sequência, envia o endereço do Six Senses Botanique, em Campos do Jordão. Faria pede ainda informações para a organização da segurança.