A história do pequeno gênio sensibilizou as pessoas que não param de fazer doações, além das promessas de ajuda para o menino nos estudos e com pagamento aluguel 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alvinho com a mãe, Priscila, no Grajaú, onde estão vivendo — Foto: Marcelo Theobald A rede de solidariedade que se formou em torno do menino Adriano Álvaro Melo, o Alvinho, de 10 anos, desde que o drama dele e de sua mãe Priscila de Melo, de 42, foi mostrado pelo GLOBO, faz com que os dois comecem a sonhar com dias melhores. Mãe e filho, que perderam casa e estão morando em abrigos desde o começo do ano, já começam até a fazer planos para o futuro. A história sensibilizou as pessoas que não param de fazer doações, além das promessas de ajuda para o menino nos estudos e com pagamento aluguel. O projeto mais imediato dos dois é voltar para Cabo Frio, na Região dos Lagos, para que o menino consiga retomar os estudos numa escola particular da cidade, onde foi matriculado no começo do ano, após obter uma bolsa integral. O garoto perdeu o benefício, quando a mãe dele, diagnosticada com tuberculose resistente a medicamentos, teve de retornar ao Rio para tratar da doença na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A bolsa havia sido conseguida por intermédio da direção da casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social, onde os dois se encontravam no município da região dos Lagos. —Quero voltar pelo menos para ele concluir o ano letivo, já que teve de abandonar os estudos de maneira abrupta, quando estava indo bem. Tem também a questão da dificuldade de adaptação. Lá ele já estava acostumado aos professores e aos colegas, dos quais diz sentir saudades. Depois a gente pensa o que fazer no ano que vem — diz a mãe, que planeja o retorno a Cabo Frio para a semana que vem.. Livro publicado por Alvinho aos cinco anos passou a ser procurado após divulgação de sua escola — Foto: Reprodução Priscila contou que já fez contato com a direção da escola para avaliar a possibilidade de retomada da bolsa, mas disse que independentemente do benefício, com as doações recebidas até agora, avalia que consegue se manter na cidade pelo menos até o final do ano e bancar as mensalidades. As ofertas de ajuda têm vindo de toda parte, inclusive do exterior. Somente as doações em dinheiro, em pouco mais de 24h, atingiram cerca de R$ 85,5 mil, por meio do PIX (19252032711, Banco do Brasil). Paralelamente ao plano de deixar o abrigo e voltar da Cabo Frio, Priscila avalia outras ofertas recebidas. Ela conta, por exemplo, que foi procurada por uma pessoa que se identificou como diretor de uma grande rede de ensino carioca que teria manifestado interesse em ajudar o menino, após ler a história dele no jornal. Outra pessoa teria prometido se comprometer com o pagamento do aluguel dos dois por pelo menos um ano. Priscila conta também que foi procurada pela Mensa Brasil, uma associação sem fins lucrativos chamada de "clube internacional de gênios" destinadas a pessoas com alto QI. A mobilização em torno do filho surpreendeu Priscila, que não esperava receber tanta oferta de ajuda. Desde que a matéria do GLOBO foi publicada ela não faz outra coisa a não ser dar entrevistas e atender ligações com manifestações de apoio. —Estou impressionada. Não esperava que fosse receber tanta ajuda. Já dá esperança de reconstruir a minha vida e do meu filho. O que mais me surpreendeu foi essa mobilização das pessoas e vontade de ajudar num cenário em que há muita desconfiança e medo de cair em golpes. Ver que as pessoas estão confiando em mim e dispostas a nos ajudar é animador — afirma. Depois da divulgação da história do menino, a mãe também se surpreendeu com o o aumento a procura por um livro lançado pelo garoto quando ele tinha cinco anos, ainda durante a pandemia. A publicação lançada numa plataforma de autopublicação na internet, com o título de "Livro do Àlvaro de Melo" mostra de maneira lúdica sua trajetória de construção do conhecimento e aprendizagem desde os primeiros anos de vida. O preço sugerido é de R$ 10, mas, segundo Pricila, a maioria tem optado por contribuir com valor bem acima. Em apenas um dia ela recebeu mais de trinta pedidos. Conheça a história do menino Aos 7 anos, Adriano Álvaro Melo já traçava um destino promissor. O pequeno gênio nascido no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, havia desenvolvido o jogo “Super Alvinho”, após participar de um curso on-line de programação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Sua inteligência e esperteza faziam com que ele despontasse no xadrez e numa turma de robótica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mas a vida resolveu impor obstáculos extras ao futuro do menino que se projetava da favela para o mundo. Seu último aniversário, de dez anos, em abril passado, foi comemorado numa casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social. Atualmente, ele está com a mãe em um abrigo no Grajaú, na Zona Norte carioca. Os solavancos na trajetória de Alvinho e Priscila não param de aumentar desde que a mãe foi diagnosticada, em outubro do ano passado, com uma tuberculose resistente aos medicamentos. Mesmo doente, ela se mudou com o filho, no início de 2026, da capital para a cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, atrás de uma oportunidade de emprego, que acabou frustrada. Sem condições de arcar com as despesas cotidianas, os dois foram parar numa casa de passagem — a que Alvinho estava no aniversário —, ainda no município do interior do Rio. Sensibilizado com a história, o diretor da instituição conseguiu para o pequeno uma bolsa de estudos integral numa escola particular. Alvinho, no entanto, só conseguiu frequentá-la por dois meses, pois a mãe teve que voltar ao Rio para cuidar da saúde na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma vez que não tinha como fazer o acompanhamento necessário na Região dos Lagos. A mãe conta que a suspeita de que Alvinho pudesse ter uma facilidade incomum de aprendizado surgiu quando ele tinha 3 anos. Aos 4, no meio da pandemia da Covid-19, ele aprendeu a ler e a escrever com a ajuda do aplicativo GraphoGame, do Ministério da Educação, indicado para crianças do 1º e do 2º ano do ensino fundamental. Em seguida, um teste confirmou as altas habilidades do pequeno prodígio. O jogo “Super Alvinho”, por exemplo, foi criado todo em inglês, idioma que ele estudou num aplicativo, e contava a história de um extraordinário cientista que queria usar seus superpoderes para construir robôs agrícolas e pesquisar meios de melhorar a produção e a distribuição de alimentos no planeta. Sua mente inventiva fez com que o garoto virasse notícia do GLOBO, em dezembro de 2023, quando ele foi palestrante em um evento sobre Pedagogia Social na Universidade Federal Fluminense (UFF). Mas a situação financeira já não era boa. Na ocasião, Priscila e o filho viviam de favores no Complexo da Maré, após ela perder o apartamento em que morava em Itaboraí, na Região Metropolitana. A mãe conta que foi vítima de um golpe imobiliário que consumiu o seu sonho de casa própria, o FGTS e a estabilidade do filho — numa questão que está na Justiça até hoje. Separada e com o filho pequeno, ela se viu sem ter onde morar. Em fevereiro de 2024, Alvinho chegou a aproveitar uma passagem do presidente Lula pela Maré para entregar a ele uma carta com o projeto de construção de uma escola para atender, dentro da comunidade, crianças com altas habilidades como ele. O pequeno disputou competições de xadrez e robótica, ganhou troféus e foi até condecorado na Câmara do Rio, em dezembro de 2024, com a Medalha Pedro Ernesto, por seu destaque na educação. O geniozinho da Maré se tornava, assim, a pessoa mais jovem a receber a comenda.
Super Alvinho: mãe de menino com altas habilidades planeja deixar abrigo e voltar a Cabo Frio para filho retomar estudos
A história do pequeno gênio sensibilizou as pessoas que não param de fazer doações, além das promessas de ajuda para o menino nos estudos e com pagamento aluguel






