Nesta segunda-feira, o IBGE divulgou os microdados da amostra do Censo 2022, quatro anos após a data de referência. A base pública de 2010 identificava município e área de ponderação, além de apresentar idade exata e categorias detalhadas.
Em 2022, a geografia aberta termina na Unidade da Federação, as idades aparecem em intervalos de cinco anos e parte do detalhamento depende de acesso controlado. Perguntas que antes começavam com o download da base agora exigem autorização.Por exemplo, sabemos que a proporção de católicos caiu de 65,1% para 56,7% entre 2010 e 2022, enquanto a de evangélicos passou de 21,6% para 26,9%, indicando a direção da mudança. Contudo, esse crescimento evangélico pode decorrer de diferenças geracionais, migração ou dinâmicas locais entre denominações, hipóteses que exigem cruzamentos com idade, renda, ocupação e território.
Como a média estadual pode esconder movimentos opostos entre a capital e o interior, a retirada do município e o acesso controlado às denominações detalhadas comprimem explicações distintas na mesma fotografia agregada.
Além disso, os pesos públicos reproduzem apenas a população total de cada Unidade da Federação, enquanto outras estimativas podem divergir dos resultados oficiais. Assim, baixar a base não garante a possibilidade de reconstruir os números publicados pelo próprio instituto. Acesso e verificação são dimensões distintas da transparência.








