Chefs, bailarinos e coreógrafos cariocas estão entre as milhares de pessoas que trabalham durante meses nos bastidores do festival 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O chef Pedro Siqueira, um dos 100 melhores pizzaiolos do mundo em 2025, assina a curadoria da Gourmet Square no Rock in Rio 2026 — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo Quando os portões da Cidade do Rock se abrirem, na sexta (4), uma multidão correrá para garantir os melhores lugares no Rock in Rio. Mas para que encontre tudo a contento, centenas de profissionais começam a trabalhar meses antes. Conheça alguns deles. Comida boa e rápida, pra fila andar Enquanto estiverem rolando shows de nomes como Elton John, Foo Fighters e Gilberto Gil, as cozinhas do festival estarão fervilhando tanto quanto os palcos. Este ano, a Gourmet Square ganha a curadoria do chef Pedro Siqueira, da Sisì Pizza, eleito o 72° melhor pizzaiolo do mundo pelo prêmio The Best Pizza Awards 2025. Em sua estreia na função, o chef , que já havia participado da edição passada como operador, conta que uma de suas principais preocupações foi entender o que o público realmente procura num festival. — Reunir os desejos do público não é fácil. Tive que estudar muitos eventos, como o próprio Rock in Rio, The Town, Coachella. Mas no final acredito que as pessoas vão curtir o que programamos — diz Siqueira. A praça contará com oito opções de diferentes perfis: culinárias asiática (Gurumê), sul-americana (Chicharrón), árabe (Albis) e brasileira (Bora Baião e Cumbuca), hambúrguer (T.T. Burger), pizza (Sìsì Pizza) e cachorro-quente (Pepe’s Hot Dogs). As duas últimas marcas são do próprio chef. A ideia, explica ele, é que o público encontre variedade e agilidade. Espaço contará com oito operações que buscam trazer referências de diferentes culinárias ao público do Rock in Rio 2026 — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo Os restaurantes foram orientados a trabalhar com cardápios enxutos, concentrados nos seus produtos de maior saída. — A ideia é reduzir o tempo de escolha de quem está na fila e agilizar a produção dos pedidos — diz o chef. Desde fevereiro, Siqueira participa do desenho das cozinhas, da logística, da escolha de equipamentos, dos contatos com as marcas e da adaptação das operações ao espaço disponível. Atrás das oito lojas que o público verá existe, na prática, uma única cozinha, dividida em módulos para atender às necessidades de cada restaurante: — Cada operador tem a sua logística. Um usa chapa, o outro banho-maria... é uma grande adaptação. Alta gastronomia na Área Vip Chef Heaven Delhay e Mark Zammit, CEO da GSH visitam a cozinha da área Vip dez dias antes do começo do Rock in Rio — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo A gastronomia também é fundamental, claro, na Área Vip. A chef Heaven Delhaye estreia no comando do espaço ao lado da GSH, empresa liderada por Mark Zammit, que explica que deverão ser atendidas cerca de 7.500 pessoas por dia, durante 12 horas. A proposta é oferecer alta gastronomia. A cozinha foi concebida sem fogões a gás ou chama aberta: serão usados equipamentos tecnológicos para preparar, armazenar e regenerar os alimentos com velocidade e controle. A produção começou cinco semanas atrás na cozinha da GSH, em São Paulo. Segundo Heaven, o maior desafio é calcular a comida necessária: apenas um dos pratos do menu de estreia, o picadinho, foi planejado para chegar a 260 quilos em um único dia. Ela destaca que toda a produção, da confecção do extrato de tomate ao resultado final, é da equipe de cerca de 200 profissionais. — Gosto da ideia de fazer os ingredientes que serão usados nos pratos porque eu quero que as pessoas que comem a minha comida experimentem e não se esqueçam de que “essa é a comida da Heaven” — diz a chef. O cardápio será diferente a cada dia. E pela primeira vez no vip haverá um forno de pizza de lastro para a produção de pizzas romanas na hora. Heaven afirma que o conceito é aproximar o público da comida sem obrigá-lo a escolher entre jantar e assistir ao show. Bailarinos dividindo atenção com DJs Giselle e Flavia Tápias, mãe e filha, coreografam bailarinos no palco New Dance Order pela quarta vez — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo Se na gastronomia o desafio é alimentar milhares de pessoas, no palco New Dance Order a missão é fazer com que o público repare nos bailarinos. Para isso, foram chamadas as coreógrafas Giselle e Flávia Tápias, do Espaço Tápias, que trabalham nas coreografias do local desde a edição 2019. Mãe e filha trabalham com bailarinos contemporâneos, artistas de danças urbanas, drag queens e, nesta edição, uma artista circense. O objetivo é criar uma linguagem capaz de dividir a atenção entre DJs, luzes e enormes telas de LED. Para fazer bonito, há ensaios ao menos cinco vezes por semana desde julho. — A luz não está em você, não tem a expectativa do olhar para você. Então, como é que se divide o palco? — questiona Giselle Tápias, explicando parte da lógica que precisa guiar o trabalho. Palco New Dance Order em preparação para a edição 2026 do Rock in Rio — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo A resposta vem sendo construída ao longo das últimas três edições. A dança contemporânea continua sendo a base, mas incorpora elementos de outras linguagens para conversar com o público da música eletrônica. Neste ano, o próprio palco mudou de dimensão e formato. São 56,50 metros de largura e 22,5 metros de altura, com 502 metros quadrados de painéis de LED. Para quem trabalha normalmente dentro de teatros, a escala demanda atenção especial. Os ensaios — a maioria, fora do local da apresentação — precisam levar em conta não apenas os movimentos, mas o tempo necessário para cada bailarino se deslocar no espaço. Em algumas coreografias, os profissionais precisam se comunicar a dezenas de metros de distância. Existe ainda um fator imprevisível: os bailarinos nem sempre sabem a música que será tocada durante a apresentação de um DJ. — O show é vivo. E se por um acaso o DJ decidir mudar uma música de lugar, ou incluir outra? E se ele resolve brincar com alguma faixa de acordo com a reação que o público está tendo? Existe o imprevisível, e o bailarino precisa se virar — explica Flávia, que, no dia desta reportagem, viu o novo palco do New Dance Order pela primeira vez, assim como Giselle. O primeiro emprego a gente não esquece Por isso, o trabalho é feito com tanta antecedência. É um processo que começa com a criação das coreografias que conceituam o espetáculo, mas trabalha com intérpretes criadores, incorporando movimentos e linguagens trazidos pelos próprios bailarinos. Alguns alunos do Espaço Tápias, incluindo jovens da iniciativa social Engenho das Artes, que oferece aulas de dança, música e teatro, participarão profissionalmente das ações no Rock in Rio. Além dos 18 bailarinos do palco New Dance Order, Giselle e Flávia preparam outros 12 para performances na área vip do Globoplay. — Queremos inserir novos profissionais no mercado, e ao vermos que já temos alunos com essa capacidade, resolvemos oferecer essa oportunidade. Para alguns, será o primeiro contrato profissional assinado na vida — conta Flávia. E que contrato.