Aquisição de securitizadora permitirá a fintech ir além da infraestrutura de tecnologia financeira ao integrar, em um único ecossistema, capacidades de originação, funding e movimentação financeira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Celcoin, fintech que atua principalmente como prestador de serviços de “banking as a service” (BaaS), anunciou a aquisição da Vert Capital, tradicional no mercado de securitização e que mais recentemente se expandiu também para gestão e administração de fundos. O valor da transação não foi revelado, mas o fundador e CEO da Celcoin, Marcelo França, diz que essa é a oitava e maior aquisição feita pela companhia. A operação amplia a atuação da Celcoin no mercado de capitais e crédito estruturado, que passa a ir além da infraestrutura de tecnologia financeira ao integrar, em um único ecossistema, capacidades de originação, “funding” e movimentação financeira. Como parte dessa estratégia, a Celcoin investirá R$ 500 milhões nos próximos três anos, sendo R$ 200 milhões destinados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologia. Com a aquisição, a empresa deve alcançar R$ 800 milhões de receita recorrente anualizada no fim de 2026. “Construímos a Celcoin acreditando que a infraestrutura financeira precisava ser cada vez mais aberta, tecnológica e acessível. A chegada da Vert representa um novo capítulo dessa estratégia”, afirma França. “As soluções continuarão sendo oferecidas de forma modular e independente, permitindo que cada cliente decida que partes da infraestrutura quer utilizar. Como parte da Celcoin, ganharemos capacidade de investimento para acelerar tecnologia, inovação, segurança e crescimento”, afirma Fernanda Mello, CEO da Vert. Fundada há dez anos, a Vert já emitiu mais de R$ 142 bilhões em operações, administra aproximadamente R$ 97 bilhões em ativos e participou de mais de 490 operações envolvendo fundos de direitos creditórios (FIDCs), do agronegócio (Fiagro), imobiliários (FII), certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs), debêntures e outros instrumentos. Desde 2024, também atua como distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM), frente que soma mais de R$ 16 bilhões sob administração em FIDCs. A aquisição pela Celcoin da licença de DTVM da Vert precisará da aprovação do Banco Central (BC). “Na área de serviços fiduciários ainda temos muito a fazer. Entramos bem em FIDCs, mas no geral mal começamos na indústria de fundos. A parte de fundos estruturados é uma que podemos olhar”, diz Mello. A Centria Partners assessorou a Vert na transação A Celcoin recebeu um aporte de R$ 650 milhões em 2024 em rodada liderada pela Summit Partners. Segundo França, boa parte desse dinheiro ainda está em caixa e outras operações de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) são possíveis. “Sempre olhamos oportunidades de novos produtos e de ganhos de participação de mercado. No segmento de BaaS, muitos players não conseguiram escalar, e vivemos um momento em que a demanda tem crescido muito.” Sem abrir detalhes, ele diz que a Celcoin atingiu o “breakeven” em 2022 e tem registrado crescimento orgânico no faturamento de quase 45% nos últimos anos. A empresa obteve em fevereiro uma licença de sociedade de crédito direto (SCD), quando o BC aprovou a compra da Via Capital, e França afirma que, com a DTVM, terá o leque completo para oferecer todos os produtos aos clientes. A fintech abriu em 2023 um escritório no Chile, que tem regulação de open finance parecida com a do Brasil. O CEO diz que o foco agora não é expandir para fora. “Temos acompanhado outros países da América Latina, se eles vão adotar uma tecnologia semelhante à do Brasil, mas a demanda aqui tem sido tão forte que não prevemos novas expansões por enquanto”. A fintech também tem entre seus investidores a Innova Capital, e França diz que uma oferta inicial de ações (IPO) seria um caminho natural, mas não no curto prazo. “Não estamos pensando nisso agora. Estamos muito focados na execução, no crescimento. Não temos nenhuma pressão dos investidores para fazer IPO.” Marcelo França, fundador e CEO da Celcoin — Foto: Divulgação