Produção de petróleo da Venezuela gira em torno de 1,2 milhão de barris por dia, mas continua muito abaixo dos três milhões de barris alcançados um quarto de século atrás 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Petróleo da Venezuela será usado para reabastecer reserva estratégica dos EUA, diz Trump — Foto: Adriana Loureiro Fernandez/The New York Times O acordo anunciado na sexta-feira entre Estados Unidos e Venezuela para deixar nas mãos de Washington o controle de aproximadamente um quinto das reservas de petróleo venezuelanas se apoia em contornos difusos e levanta numerosas dúvidas sobre sua implementação. Abaixo, veja o que se sabe sobre esse novo "acordo" de Donald Trump. Um butim de bilhões de barris O presidente americano afirmou na sexta-feira que os Estados Unidos "obtiveram o controle majoritário [...] de mais de 65 BILHÕES DE BARRIS" de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela. Isso representa cerca de 20% das gigantescas reservas do país, as maiores do mundo. Isso reforçaria amplamente a capacidade de produção dos Estados Unidos, cujo subsolo abriga 46 bilhões de barris de petróleo, segundo os dados mais recentes da Agência de Informação sobre Energia (EIA) desse país. Território autônomo dinamarquês, Groenlândia é alvo dos Estados Unidos 1 de 14 Homens praticam corrida em Nuuk, na Groenlândia — Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP 2 de 14 Casa em Nuuk, na Groenlândia — Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP X de 14 Publicidade 14 fotos 3 de 14 Nuuk, capital da Groenlândia — Foto: AFP 4 de 14 Soldados dinamarqueses desembarcam em porto de Nuuk, na Groenlândia — Foto: Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix/AFP X de 14 Publicidade 5 de 14 Manifestantes com bandeiras da Groenlândia participam de um protesto com o lema “Groenlândia é dos groenlandeses” em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Copenhague — Foto: THOMAS TRAASDAHL / RITZAU SCANPIX / AFP 6 de 14 A bandeira da Groenlândia (Erfalasorput) tremula no telhado do Castelo de Tivoli, em Copenhague — Foto: IDA MARIE ODGAARD/RITZAU SCANPIX/AFP X de 14 Publicidade 7 de 14 Nuuk, capital da Groenlândia, em maio — Foto: Sigga Ella/New York Times 8 de 14 Pessoas caminham sobre a neve em Ilulissat, na Groenlândia — Foto: Ivor Prickett/The New York Times X de 14 Publicidade 9 de 14 Casas coloridas no em Tasiilaq, na Groenlândia; acesso ao território dinamarquês ficou mais fácil com inauguração do primeiro aeroporto internacional, que terá voos dos EUA — Foto: Reprodução / Barni1 / Pixabay 10 de 14 O vice-presidente dos EUA, JD Vance, visita a Base Espacial de Pituffik, na Groenlândia, com a comandante Susannah Meyers, destituída dias depois — Foto: Jim WATSON / POOL / AFP X de 14 Publicidade 11 de 14 Iceberg em derretimento em Nuuk na costa da Groenlândia, em fevereiro de 2025 — Foto: Odd Andersen/AFP 12 de 14 Barcos de pesca num porto congelado em Nuuk, na Groenlândia — Foto: Ivor Prickett/The New York Times X de 14 Publicidade 13 de 14 Foto tirada em 1º de julho de 2024 mostra a fragata Triton da frota dinamarquesa (ao fundo) ao largo da vila de Attu, na Groenlândia — Foto: Ida Marie Odgaard / Ritzau Scanpix / AFP 14 de 14 Vista da cidade de Ilulisat na Groenlândia — Foto: Carsten Snejbjerg/The New York Times X de 14 Publicidade Donald Trump manifestou desejo de anexar conjunto de ilhas Segundo ela, o acordo abrange 17 campos de petróleo e proporcionará ao país mais de 100 bilhões de dólares (R$ 520 bilhões) em investimentos, além de cerca de 19 dólares por barril produzido. "Uma das coisas que desejo fazer com todo esse petróleo de que dispomos agora é abastecer as reservas estratégicas", cujo nível é o mais baixo em mais de 40 anos, disse Trump. Acusações de "neocolonialismo" As reações na Venezuela, fora do âmbito governamental e de seus aliados, têm sido em geral negativas. Para o ex-ministro e ex-dirigente da estatal petrolífera venezuelana (PDVSA) Rafael Ramírez, trata-se, antes de tudo, de "neocolonialismo americano". Trata-se de "um acordo feito às costas do país, evidentemente inconstitucional, que cede o controle do território e do petróleo a uma potência estrangeira". "Há algo que deve ficar absolutamente claro: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos", afirmou Delcy Rodríguez, que governa interinamente sob forte pressão americana. Estados Unidos atacam Venezuela e capturam Nicolás Maduro 1 de 20 Trump confirma 'ataque de grande escala' à Venezuela e diz que Maduro foi capturado — Foto: Reprodução 2 de 20 Explosão em Fuerte Tiuna, maior base militar da Venezuela — Foto: AFP X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Um veículo em chamas na base aérea de La Carlota, em Caracas, após uma série de explosões em 3 de janeiro de 2026 — Foto: JUAN BARRETO / AFP 4 de 20 Vídeo mostra helicópteros de operações especiais sobrevoando caracas — Foto: Reprodução X de 20 Publicidade 5 de 20 Incêndio no Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela — Foto: AFP 6 de 20 Incêndio no Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela — Foto: Luis JAIMES / AFP X de 20 Publicidade 7 de 20 Espaço aéreo vazio na Venezuela enquanto ataques dos EUA atingem Caracas — Foto: flightradar24.com / ESN / AFP 8 de 20 Rodovia Francisco Fajardo, em Caracas, fica vazia após ataques na Venezuela — Foto: Juan BARRETO / AFP X de 20 Publicidade 9 de 20 Venezuelanos deixam o país após anúncio de captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA — Foto: SCHNEYDER MENDOZA 10 de 20 Venezuelanos deixam o país após anúncio de captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA — Foto: SCHNEYDER MENDOZA X de 20 Publicidade 11 de 20 Venezuelanos deixam o país após anúncio de captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA — Foto: SCHNEYDER MENDOZA 12 de 20 O secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, estão atrás do presidente Donald Trump durante o anúncio de um plano para construir navios de guerra da “classe Trump”, em Mar-a-Lago. — Foto: Eric Lee / The New York Times X de 20 Publicidade 13 de 20 Soldados colombianos são vistos em veículos militares na fronteira com a Venezuela, em Cúcuta — Foto: Schneyder MENDOZA / AFP 14 de 20 Caminhão destruído na base aérea de La Carlota, em Caracas — Foto: Juan BARRETO / AFP X de 20 Publicidade 15 de 20 Militares colombianos na fronteira com a Venezuela — Foto: Schneyder MENDOZA / AFP 16 de 20 Passageiros aguardam no Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em Carolina, Porto Rico, após o cancelamento de todos os voos em decorrência dos ataques dos Estados Unidos na Venezuela. — Foto: Miguel J. Rodriguez Carrillo / AFP X de 20 Publicidade 17 de 20 Passageiros aguardam no Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em Carolina, Porto Rico, após o cancelamento de todos os voos em decorrência dos ataques dos Estados Unidos na Venezuela. — Foto: Miguel J. Rodriguez Carrillo / AFP 18 de 20 Trump compartilha imagem que diz mostrar Maduro a bordo do Iwo Jima — Foto: Reprodução | Truth Social X de 20 Publicidade 19 de 20 Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu entrevista à rede de TV americana Fox News após o ataque na Venezuela — Foto: Reprodução / Fox News 20 de 20 Donald Trump fala em coletiva de imprensa após ações militares dos EUA na Venezuela. — Foto: Jim WATSON / AFP X de 20 Publicidade Vários meios de comunicação informaram que Washington ficaria com 55% da produção da recém-criada empresa conjunta. Mais surpreendente, para alguns analistas, é o envolvimento do Pentágono, que respaldaria a operação por meio de um pouco conhecido escritório de investimentos no exterior, conhecido como Escritório de Capital Estratégico. Trump afirmou que o acordo não custará nem um centavo ao contribuinte americano, sem explicar, no entanto, como será estruturado. Francesco Sassi, pesquisador em geopolítica da energia do grupo de estudos RIE, também destaca o caráter "inédito" de um envolvimento semelhante do governo americano, uma vez que Washington não dispõe de nenhuma companhia petrolífera estatal. A empresa venezuelana encarregada do projeto poderia ser a do polêmico Alejandro Betancourt, revela a imprensa americana. Investidor e empresário, presidente de uma petrolífera já presente na Venezuela (Nabep), Betancourt foi alvo de investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro na Espanha e na Suíça. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou o acordo como uma "grande vitória" para reduzir a conta de combustível dos americanos, que disparou com a guerra no Oriente Médio. Mas os especialistas se mostram mais cautelosos e estimam que o impacto nos postos de combustível poderá demorar a ser percebido. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países O que dizem as companhias petrolíferas? Procuradas pela AFP, as principais companhias petrolíferas americanas não reagiram a esses anúncios. Distribuidores e refinadores devem, no entanto, se reunir com Donald Trump nesta terça-feira para discutir os preços nas bombas, segundo a Casa Branca. Desde a captura de Nicolás Maduro, no início de janeiro, Trump busca relançar a exploração dos recursos petrolíferos e de gás do país sob seu próprio patrocínio, mas esbarra na relutância das empresas — com exceção da Chevron — diante dos grandes investimentos necessários para recuperar a infraestrutura venezuelana e das políticas de expropriação adotadas pelo regime venezuelano no passado. A produção de petróleo do país gira em torno de 1,2 milhão de barris por dia (+30% entre janeiro e julho), mas continua muito abaixo dos três milhões de barris alcançados um quarto de século atrás. "É difícil saber se este acordo continuará em vigor depois de Trump, se será modificado ou até mesmo revogado", o que reduz o apetite dos produtores, avalia Andy Lipow, analista da Lipow Oil Associates.