Banda lança no festival o seu tributo ao Síndico, diz que polêmica com ex-BBBs 'é papo de internet' e comemora atual momento: 'Foi o nosso único álbum em que não brigamos' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O grupo Jota Quest — Foto: Divulgação/Fernando Young Não me amole, o que eu quero é sossego. Numa paráfrase filosófica de Tim Maia (1942-1998), o Jota Quest joga para o lado toda uma polêmica recente: a de que teria desmarcado seu show no casamento dos ex-BBB Viih Tube e Eliezer diante das críticas (e de uma investigação do Ministério do Trabalho) que o casal enfrentou por causa de “As patroas” — reality show por eles estrelado, no qual acusações afirmavam que empregados de sua casa estariam sofrendo humilhações e exploração. — Não tem por que falar desse trem, não, pelo amor de Deus, bicho! Isso é papo de internet, cara! É trem jurídico? Então, se é jurídico, deixa rolar! — pede o cantor Rogério Flausino, em entrevista para divulgar “Jota Quest & Tim Maia — Dance enquanto é tempo”, álbum que acaba de chegar ao streaming, e que o grupo apresenta pela primeira vez ao vivo no Palco Sunset do Rock in Rio no domingo. Com releituras de clássicos e alguns lados B do Síndico, e participações de Tim Maia (em vocais tirados dos fonogramas originais), Mãeana, Os Garotin, Carlinhos Brown, Negra Li e Thiaguinho, mais Tony e Lincoln Tornado, o disco leva o Jota para mais de 30 anos atrás, a uma época em que, segundo Flausino, “a gente tocava no Drosophyla (bar em Belo Horizonte)”, começava a gravar suas primeiras músicas, inspiradas pela black music brasileira, e um certo Tim Maia certa vez falou: “Não tem essa J. Quest (primeiro nome do grupo), não, vocês se chamam Jota Quest!” — Essa homenagem não é uma coisa de que a gente precisava para a carreira, mas a maneira de reverenciar um ídolo que merece ser reverenciado sempre — conta PJ, baixista do grupo que debuta como produtor de discos do grupo em “Dance enquanto é tempo”. — O primeiro contato que a gente teve com o Tim foi quando a gente regravou “Dance enquanto é tempo” (para “J. Quest”, o álbum de estreia, de 1996). Acho que ele estava num momento não muito bom da carreira dele e falou: “Pô, que legal vocês gravaram isso aí, cara! Todo mundo me pede para regravar sucesso, vocês não mandaram nem um lado B, é um lado C, tá liberado!” PJ lembra que, naquela época, “a black music no Brasil estava muito esquecida” e então veio o Jota Quest com aquele álbum trazendo Tim, Hyldon (a banda regravou sua “As dores do mundo”) e Tony Tornado (participando de “Há quanto tempo”) — o mesmo Tony que volta aos 96 anos, em “Dance enquanto é tempo”, ao lado do filho Lincoln, para um rap-narração em “Sossego”: — (Lá em 1996) a gente era meio o patinho feio, porque o rock brasileiro era o Raimundos trazendo aquela coisa do Nordeste, o Skank no reggae, o Lulu Santos com aquele pop mais abrangente, demorou até a gente encaixar ali. Acho que hoje está bem legal, eu adoro Os Garotin, e acho que a própria música black americana, como eu gosto, está voltando. O Bruno Mars, para mim, é o boogie dos anos 1980! Rogério Flausino diz que o desafio no disco foi saber até onde ir nas recriações das músicas de Tim Maia. — A gente ama demais os fonogramas originais, ama demais essas músicas, e ficava até meio ciumento com elas. Tem aqueles caras que falam assim: “Vamos fazer essa aqui meio reggae!” Que reggae, bicho? Você tá louco! Não, bicho, isso aí é uma coisa intocável, uma coisa maravilhosa! — defende. — Nossa vontade foi a de interpretar aquilo o mais próximo possível da realidade, guardando as devidas proporções, claro! Como é que eu vou cantar igual ao Tim Maia? Não tem jeito. Mas a alma do Tim precisava estar ali, a gente precisava sentir ele ali o tempo todo. E PJ segue no assunto: — “Gostava tanto de você”, por exemplo, tem bilhões de regravações, mas raramente você vai encontrar uma com a levada samba funk original. Ela é a cereja do bolo, não tem como fazer uma coisa diferente disso, e não é o que a gente quer fazer. Esse disco é como se Tim Maia tivesse chamado e falado: “Bora fazer um show junto?” — explica. — Álbuns de homenagens, existem milhares, não é uma novidade no mercado nem uma coisa que deturpe a carreira de ninguém. Se você tem um background para aquilo, não vejo problema nenhum em fazer. Foi um disco superconfortável, tudo correu naturalmente, foi o nosso único álbum em que não brigamos! No Rock in Rio, o Jota Quest espera representar um Tim que não chegou a participar do festival. Será um show, diz Flausino, “90% Tim Maia”, com dois dos artistas que fizeram feat no disco (e que eles vão anunciar nos próximos dias). — A gente queria estar no mesmo dia do Jamiroquai, de que a gente é fã pra caralho, mas não deu — lamenta o cantor. — O show do Tim nem estava pronto quando a gente sugeriu para o Zé (Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, empresa que produz o Rock in Rio, e curador do Palco Sunset). Ele achou animal e aí a gente começou a ensaiar muito. Porque, no palco, muda tudo. Quando estamos tocando em alguns lugares sentimos que temos que aumentar a velocidade, ou que precisamos de uma outra pegada, mais power. Até o fim do ano, o Jota Quest faz o show de Tim Maia novamente no Rio e em São Paulo, e em 2027 segue com ele por outras cidades. O plano seguinte é o de fazer a tão aguardada turnê dos 30 anos da banda. — Quando começou a fazer o disco do Tim Maia, a gente falou: “Cara, não tem forma mais interessante e nova de você celebrar os 30 anos do primeiro álbum do que fazendo uma homenagem para o cara que foi o padrinho do disco. E depois fazer isso virar um show em que a gente vai tocar as músicas do disco com as do Tim e mais alguns hits, para fazer um bailão feliz — diz Flausino.
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