Durante boa parte dos governos do PT, uma história muito contada foi a da queda da desigualdade. Os números da PNAD pareciam dar razão a essa leitura. O Gini caiu, a renda dos mais pobres cresceu e milhões de brasileiros avançaram alguns degraus na distribuição de renda.

Essa história está longe de ser falsa. Só que ela precisa de uma grande nota de rodapé.

Pesquisas domiciliares como a PNAD são muito boas para entender o que acontece com a maior parte da população, mas são menos eficientes para enxergar os brasileiros que estão bem no alto da pirâmide. Os muito ricos são poucos e possuem uma composição de renda que vai muito além do salário recebido no fim do mês.

E aqui entram os dados tributários.

Estudos que combinam pesquisas domiciliares com informações do Imposto de Renda encontram um Brasil mais desigual e, sobretudo, uma desigualdade muito persistente.