'Está havendo uma substituição dos private equity por investidores estratégicos', diz Daniel Wainstein, do Grupo Seneca Foto: Daniel Teixeira/Estadão - 23/08/2019Os fundos de private equity, que compram participações em empresas, estão perdendo espaço importante nas transações de fusões e aquisições (M&A) nos últimos anos. Isso é reflexo do desgaste que vem ocorrendo no ambiente de negócios, provocado pela interrupção nas aberturas de capital em bolsa e pela pressão da alta dos juros nas companhias investidas, que tornam difícil a saída dos fundos dos seus investimentos.PUBLICIDADENão se trata apenas de um fenômeno local. Um estudo da consultoria Bain & Company, de julho, mostra que esses fundos globalmente têm um número recorde de 32 mil empresas para vender, que valem US$ 3,8 trilhões.No Brasil, levantamento feito pelo Grupo Seneca mostra uma trajetória de queda a partir de 2019, com a participação dos fundos de private equity nos negócios de fusões e aquisições saindo de 27,3% naquele ano para 12,8% no ano passado. Até agora em 2026, os fundos de private equity entraram em 5,2% das transações feitas.Modelo é baseado em alavancagem“O modelo dos fundos é calcado em alavancagem do investimento que está inviabilizado no Brasil pelo juro excessivamente elevado e, por outro lado, a porta de saída dos investimentos, que é a bolsa, está fechada há cinco anos para ofertas de IPO (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês)”, afirmou o co-CEO do Grupo Seneca, Daniel Wainstein. O executivo nota que além de não ter havido oportunidade para que os fundos fizessem listagem e vendessem parte das ações das empresas que compraram, ocorreu uma depreciação gigante no preço das ações em bolsa. “Não existe estímulo para novos investimentos em um cenário onde não só não está havendo janela [para IPOs], mas como a que houve [em 2020/2021] levou as ações a um desempenho abaixo do retorno dos investimentos que fizeram”, acrescenta.PublicidadeOs cenários global e local têm levado muitos fundos de private equity que embarcaram em estratégias no Brasil a partir de 2010 reviram suas operações no País. Algumas deixaram de operar por aqui, como é o caso da Carlyle, ou encolheram presença, como o fundo de pensão canadense CPPIB. Os locais, como o Pátria, avançam em estratégias de venda de ativos para outros fundos ou diversificando sua operação.Wainstein afirma que, em contrapartida, a participação dos investidores estratégicos aumentou de 87,2% no ano passado para 94,8% este ano. “Está havendo uma substituição dos private equity por estratégicos, com um nível de interesse muito grande que não víamos de alguns estrangeiros”, diz. Ele cita, por exemplo, a China, investidores do Oriente Médio e Japão nesse grupo.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 28/08/2026, às 16:17A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.Vale ler tambémSplit payment, CNPJ técnico: o que ainda falta para a reforma tributária começar de verdade em 2027?Em plena expansão, Coamo mira R$ 30 bi em faturamentoSeguros e emergência climática: não dá para postergar medidas para mitigar os efeitos das mudanças Publicidade