Palestra inicial nesta terça-feira (1) é dedicada à correspondência do Bruxo do Cosme Velho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mural de Machado de Assis pintado pelo Negro Muro — Foto: Divulgação O Ciclo de conferências da Academia Brasileira de Letras de setembro é dedicado a atividade epistolar de grandes autores do país. A vida de cinco escritores será investigada a partir de suas cartas: Machado de Assis, Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Clarice Lispector e Graciliano Ramos. O ciclo se inicia nesta terça-feira às 16h, no Teatro R. Magalhães Jr, com a palestra “É melhor deixá-la esquecida e calada: As Correspondências de Machado de Assis (1860–1908)”, ministrada por C. S. Soares, autor da biografia “Machado: O Filho do Inverno”. Para o coordenador dos ciclos de palestras, o acadêmico Antonio Carlos Secchin, as cartas sempre foram uma fonte preciosa para conhecer os bastidores da criação literária e contextualizar os entrelaçamentos entre vida e arte. — Neste ciclo, renomados especialistas revelarão facetas inesperadas da obra de cinco grandes escritores, a partir do que revelaram a seus privilegiados interlocutores — diz Secchin. Quando, pouco antes de sua morte, Machado de Assis autorizou a publicação de suas cartas, advertiu que talvez fosse melhor deixá-las “esquecidas e caladas”. O Bruxo também pediu que a correspondência trocada com a esposa, Carolina, fosse destruída. Em sua conferência, Soares tentará responder esta pergunta. Segundo ele, as cartas deste período são mais reveladoras pelo que silenciam do que pelo que vocalizam. Por outro lado, a correspondência revela os bastidores da produção gráfica de livros no século XIX e a relação obsessiva de Machado com os aspectos da sua própria escrita. No próximo dia 8, o professor de Literatura Brasileira da USP Marcos Moraes falará sobre as cartas de Mário de Andrade, que se destacam não apenas pela sua extensão como também por sua importância histórica. O pesquisador irá recuperar a repercussão na imprensa em torno da difusão, em 2015, da “carta lacrada” de Mário de Andrade, em que o autor aborda abertamente os boatos e as pressões sociais sobre sua homossexualidade. No dia 15, o professor de Língua Portuguesa da UNICAMP Emerson Tin investiga a relação de Monteiro Lobato com o gênero epistolar. A correspondência mostra um autor multifacetado, e Tin identifica seis personas: o Lobato familiar e espontâneo com familiares e amigos; o Lobato escritor e editor, reconhecido como mestre por aqueles com quem se corresponde, mas recusa o título; o Lobato dos Estados Unidos, estupefato diante da grandeza do país em comparação com a pobreza do Brasil; o Lobato do ferro e do petróleo;; o Lobato do cárcere, apresentando-se ironicamente como um mártir do petróleo; e o Lobato das crianças, ora apelando para o nonsense e o absurdo, ora assumindo a persona de um de seus personagens. No dia 22, Evandro Nascimento falará sobre duas vertentes nas cartas de Clarice Lispector. A primeira se dedica à rede de afetos constituída ao longo da correspondência da escritora em relação à família e às amizades, e também em questões profissionais. A segunda foca nas relações entre a vida e a obra da escritora, desde a primeira carta preservada na década de 40 até os anos 70, quando morre. Por fim, o professor da USP Thiago Mio Salla analisará as realizações literárias de Graciliano Ramos a partir do livro "Correspondências", que traz mais de sua atividade epistolar.