Ao comentar sobre a atuação do Tesouro no mercado de renda fixa, secretário disse que não estava tentando alterar a direção dos juros, mas sim desacelerá-los 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou há pouco, em entrevista à CNBC, que ele e o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, estão na mesma página sobre os últimos acontecimentos no mercado de Treasuries. “Neste mês, [o mercado de renda fixa americano] terá sido o mercado de títulos com melhor desempenho. O rendimento do título de 30 anos caiu. O do título de 10 anos manteve-se estável. Nenhum outro grande mercado de títulos pode dizer isso. O rendimento do título de 10 anos está estável desde que o presidente Trump assumiu o cargo”, disse Bessent. Ao comentar sobre a atuação do Tesouro no mercado de renda fixa, Bessent disse que não estava tentando alterar a direção dos juros, mas sim desacelerá-los. O secretário também afirmou que nenhuma compra havia sido feita ainda. “O trabalho dos jornalistas financeiros e dos gestores de fundos de hedge é acelerar as coisas. O meu papel é desacelerar o ritmo e garantir que tudo se baseie em fatos, para mostrar aos participantes do mercado que as coisas talvez não sejam uma via de mão única”, argumentou. O Departamento do Tesouro anunciou, em um comunicado surpresa há cerca de duas semanas, que iria aumentar, “em pelo menos duas vezes”, o tamanho das operações de recompra para títulos nos segmentos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos. Com isso, o atual limite máximo, de US$ 2 bilhões por operação, passará a ser de, no mínimo, US$ 4 bilhões. A medida foi vista pelo mercado como uma tentativa de domar os juros longos, que refletiam os receios fiscais e as incertezas sobre o rumo da política monetária. Houve ainda algum debate sobre como a atuação de Bessent poderia frustrar algumas das mudanças propostas por Warsh no Fed, como a de receber sinais mais claros dos operadores sobre as condições financeiras. Questionado sobre o rumo da política monetária, Bessent se recusou a especular sobre as próximas decisões, mas afirmou que a economia americana sofreu choques de oferta e que, nessas ocasiões, elevar os juros não seria uma resposta, a menos que se observem efeitos de segunda ou terceira ordem. “A inflação subjacente tem permanecido muito, muito contida”, disse. A fala de Bessent contrasta com as últimas declarações de Warsh em Jackson Hole, que foram vistas com um teor mais “hawkish” (propenso a juros mais altos). Em sua primeira participação no simpósio, o presidente disse que as autoridades precisam estar confiantes de que a inflação subjacente está “caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e a uma velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho, o nosso mandato e a nossa missão.” Warsh também afirmou que, embora os dados do PCE e do CPI dos últimos meses tenham sido melhores do que o esperado, eles não indicam uma melhora significativa nas tendências subjacentes. Segundo dados compilados pelo CME Group, 69,9% das apostas indicam uma alta de 0,25 ponto percentual pelo Fed em setembro, enquanto 30,1% esperam uma manutenção. Há uma semana, o consenso apontava para taxas inalteradas. Os efeitos da atuação do Tesouro, porém, já foram majoritariamente revertidos. A taxa da T-note de 10 anos opera acima da faixa de 4,75%, acima do patamar visto da medida, enquanto os juros da T-bond de 30 anos estão acima de 5,26%, próximo do nível que desencadeou a ação do Departamento. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent — Foto: AP Photo/Jacquelyn Martin