Horas após presidente publicar vídeo produzido por IA, não havia indícios de que a estratégica ilha iraniana tivesse sido atacada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump faz publicação sobre suposto ataque à ilha de Kharg — Foto: Reprodução/Truth Social Uma autoridade iraniana classificou como “ridícula”, nesta segunda-feira, uma postagem de Donald Trump com um vídeo gerado por inteligência artificial que, segundo o presidente dos EUA, mostrava o centro petrolífero iraniano da Ilha de Kharg sendo “reduzido a estilhaços”. Horas após a postagem de domingo, não havia indícios de que Kharg tivesse sido atacada. A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters fora do horário comercial. A postagem de Trump ocorreu logo após Washington e Teerã retomarem as hostilidades pela primeira vez desde o final de julho, minando ainda mais as esperanças de uma resolução rápida do conflito, que já dura seis meses, e levando os preços do petróleo a uma alta de quase 2% na segunda-feira. Forças americanas atacaram no domingo dois lançadores iranianos na Ilha de Larak, no Irã, a cerca de 660 km a leste de Kharg, disse uma autoridade dos EUA, levando o Irã a retaliar com ataques a duas bases americanas na Jordânia, segundo a mídia iraniana. “A Ilha de Kharg foi reduzida a estilhaços!!!", disse Trump em sua plataforma Truth Social no domingo, sem fornecer mais detalhes. A Reuters confirmou que um vídeo que acompanhava a postagem, mostrando explosões dramáticas, foi provavelmente gerado sinteticamente, utilizando software que detecta imagens manipuladas por IA. “As postagens de Trump são ridículas e a situação em Kharg está calma e normal”, disse Hamid Bovard, diretor-executivo da estatal National Iranian Oil Co, na segunda-feira. As operações petrolíferas não foram interrompidas e os trabalhadores estavam ocupados reparando danos anteriores e modernizando as instalações, acrescentou ele em comentários citados pelo Nournews, um veículo semioficial próximo ao principal órgão de segurança do Irã. Motociclistas passam por um painel que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, debaixo d’água em meio a explosões, com os dizeres 'Grande vitória! Estreito de Ormuz', em Teerã, Irã, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026 — Foto: AP Foto/Vahid Salemi Irã promete responder a qualquer ataque Kharg era responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã antes da guerra iniciada pelos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, e um ataque à região perturbaria gravemente o comércio de energia e exerceria enorme pressão sobre a economia. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não busca a guerra, mas responderá de forma decisiva a qualquer agressão. “Nunca ficaremos em silêncio diante de qualquer agressão”, disse ele, segundo a mídia estatal, na segunda-feira, antes de uma visita ao Quirguistão. Não ficou claro se ele falou antes ou depois da postagem de Trump sobre a Ilha de Kharg. Uma autoridade americana afirmou que as forças atacaram os lançadores iranianos na Ilha de Larak no domingo, depois que “forças da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas se preparando para lançar foguetes com minas marítimas no Estreito de Ormuz”. Larak é uma pequena ilha no estreito, próxima ao estratégico porto iraniano de Bandar Abbas. O estreito, que normalmente movimenta um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito, está praticamente bloqueado desde o início da guerra. Em comunicado, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou ter tomado medidas “limitadas e precisas” contra as forças de colocação de minas da Guarda Revolucionária do Irã, que representavam uma “ameaça iminente” no estreito. Não foram fornecidos detalhes. Em retaliação, além de atacar as bases americanas na Jordânia, o Exército iraniano disse ter também atacado a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, na madrugada desta segunda-feira. O Ministério da Defesa emiradense, no entanto, negou essa informação, classificando-a como falsa. Posteriormente, a pasta informou que sua Força Aérea interceptou um drone que vinha do Irã sobrevoando suas águas territoriais. Não foram fornecidos mais detalhes, inclusive se o drone teria sido abatido. Masoud, um iraniano que perdeu o filho Mohammad Taha no ataque à escola de Minab em 28 de fevereiro, reage ao visitar a escola em Minab, Irã, em 27 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS