Com novas tecnologias de rede e checagem de chip, empresas de telecom criam camada extra de segurança para validar transações bancárias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O celular concentrou 187,5 bilhões de transações bancárias no Brasil em 2025, o equivalente a 78% das 240,8 bilhões de operações realizadas. O volume avançou 11% em um ano e 169% nos últimos cinco, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, feita pela Deloitte. Entre pessoas jurídicas, 63% das movimentações já são feitas pelo smartphone. Ao mesmo tempo, o país registrou 700 milhões de ataques virtuais em 2025, uma média de aproximadamente 1,3 mil golpes por minuto, conforme o relatório da NordVPN. Esse cenário amplia o peso da infraestrutura móvel na proteção do acesso às contas. “As prestadoras de telecomunicações são cada vez mais chamadas a contribuir com a integridade do ecossistema digital”, diz Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis Brasil Digital. A transição da infraestrutura móvel tradicional para a arquitetura 5G e o avanço da iniciativa global Open Gateway (padronização de APIs de operadoras) permitem que ofereçam camadas ativas de segurança diretamente na rede móvel. Na prática, em vez de depender apenas de senhas ou SMS, os bancos passam a validar o acesso pela própria rede móvel (Network-based Authentication) e a checar em tempo real a integridade do cartão SIM (o chip do celular), identificando na hora se o número foi clonado ou transferido para outro aparelho sem autorização. “A mudança está na utilização da própria rede como fonte adicional de inteligência para decisão de risco”, afirma Fernando Dulinski, fundador do Cyber Economy Brasil. O Open Gateway cria uma camada padronizada para que empresas acessem determinadas capacidades das redes por meio de APIs. Entre elas estão recursos relacionados à validação e à prevenção a fraudes. De um lado, o Number Verification confirma, em tempo real, se o número de telefone usado no acesso está de fato nas mãos do usuário, sem depender do envio de códigos por SMS ou aplicativos de mensagens, que podem ser interceptados, redirecionados ou capturados em golpes de engenharia social. De outro, o SIM Swap identifica se houve troca recente do chip associado a uma linha móvel. Assim, a instituição financeira pode exigir uma validação adicional antes de aprovar o acesso ou a transação. Leonardo Silva, diretor de B2B, plataformas de comunicação e conectividade aberta da Vivo, explica que as duas soluções utilizam informações da rede móvel relacionadas à associação entre número telefônico, chip e dispositivo, observando os requisitos de privacidade e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Em comparação aos mecanismos tradicionais, como senhas e códigos enviados por SMS, as APIs oferecem uma autenticação mais robusta, automática e menos suscetível a interceptações, engenharia social ou fraudes associadas à clonagem e à troca indevida de chips”, diz. Na visão de Raquel Possamai, diretora-executiva de mercado financeiro da Claro Empresas, a vantagem desses modelos é a impossibilidade de serem manipulados por fraudadores. Senhas podem ser roubadas, códigos SMS podem ser interceptados ou explorados por engenharia social, e informações cadastrais podem ser vazadas. Já as capacidades disponibilizadas pela rede adicionam uma camada complementar de validação baseada em eventos reais da infraestrutura móvel. A executiva pondera, no entanto, que a resposta não determina sozinha o bloqueio. As APIs funcionam como uma camada adicional dentro das estratégias de prevenção a fraudes das instituições. “O impacto final depende de como cada banco integra as informações aos seus próprios modelos de risco, regras de verificação, motores antifraude e políticas de aprovação ou bloqueio de transações.” As ferramentas já chegaram à oferta comercial brasileira, mas não há dados públicos consolidados sobre a parcela de bancos e fintechs que as utilizam ou sobre o volume total de acionamentos no país. A mensuração de fraudes bloqueadas, perdas evitadas e impacto financeiro direto também costuma ser feita pelas instituições. A TIM informa ter sete APIs comerciais em seu portfólio Open Gateway e mais de 80 milhões de consultas acumuladas até junho de 2026. A empresa não discrimina quanto desse volume corresponde especificamente a Number Verification e SIM Swap. Segundo Fábio Costa, vice-presidente B2B da operadora, ambas foram desenvolvidas sob o princípio de privacidade desde a concepção e em conformidade com a LGPD. Já a Vivo, que mantém uma parceria com o Itaú, registrou 3 milhões de acessos entre novembro de 2024 e abril de 2025 na KYC Match (que cruza os dados do banco com o cadastro da operadora para validar a identidade do usuário), e também não especificou os volumes.
Operadoras reforçam proteção contra golpes
Com novas tecnologias de rede e checagem de chip, empresas de telecom criam camada extra de segurança para validar transações bancárias







