Bancos e fintechs conectam a ferramenta a redes globais para pagamentos à vista e até parcelados em viagens 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Hoffmann, da PagBrasil: empresa lançou modelo de Pix internacional em 2023 — Foto: Divulgação Em viagem ao Chile, o professor do Insper Ricardo Humberto Rocha da Silva usou o Pix para pagar desde o transporte até vinhos e o almoço no deserto do Atacama. “Aproveitei inclusive o desconto de 5% oferecido pelo restaurante”, conta. A aceitação do sistema brasileiro já alcança mais de uma dúzia de países, impulsionada por parcerias entre empresas privadas. O Banco Central, por enquanto, apenas monitora essas iniciativas - que incluem o uso do Pix por brasileiros no exterior, por turistas estrangeiros no Brasil e em remessas internacionais. Embora os modelos variem, a dinâmica é simples: o lojista exibe um QR Code que o consumidor escaneia e paga direto pelo aplicativo do seu próprio banco. Pioneiro nesse movimento, o banco digital BS2 opera por meio do Voucher Pay, que habilita o uso do Pix e de cartões de crédito nacionais por brasileiros no exterior. A solução permite ainda o parcelamento em até 18 vezes, estimulando as compras por oportunidade. “O dinheiro vem para o BS2, que converte o valor em dólares, acusa o recebimento na hora e paga o lojista no dia seguinte. O banco ganha na taxa de câmbio”, descreve Carlos Eduardo de Andrade, diretor executivo de câmbio do BS2. A rede de aceitação é modesta. Conta com cerca de 300 estabelecimentos em 13 países - Paraguai, Uruguai, França, Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Irlanda, Itália, Malta, Suíça, Austrália e Estados Unidos. Entre janeiro e junho, foram mais de US$ 150 milhões transacionados, sendo 80% via Pix. O banco oferece ainda o Easy Pay, que permite a empresas e pessoas o acesso a pagamentos e recebimentos internacionais em tempo real do Brasil para o exterior e vice-versa. Desde o ano passado, empresas estrangeiras como Moneygram (Estados Unidos) e Taptat Send (Reino Unido) podem oferecer o Pix QR Code para brasileiros não residentes e estrangeiros em trânsito ou visita ao Brasil. Em outra frente, o Banco do Brasil passou a oferecer, em março, pagamentos via Pix na Argentina. A operação conta com o apoio do Banco Patagonia (integrante do grupo BB), de sua adquirente Wapa e da fintech argentina Coelsa, responsável pela infraestrutura tecnológica e integração de APIs. A rede já abrange cerca de 6 mil estabelecimentos conveniados e soma 1,1 mil transações realizadas por 988 usuários - sendo 54% deles não correntistas do banco -, com tíquete médio entre US$ 75 e US$ 100. O valor da compra é exibido simultaneamente em pesos, dólares e reais, e o banco cobra uma taxa de conveniência de cerca de R$ 0,25. “O modelo traz previsibilidade para o comprador”, afirma Dione Cardioli, executiva de meios de pagamento do BB. Aceitação do sistema brasileiro já alcança mais de uma dúzia de países Em junho, a chinesa UnionPay anunciou uma parceria com o BB para conectar o Pix a uma rede global presente em 47 países. Enquanto a solução oficial não é lançada, ela fechou um acordo em agosto com a fintech brasileira Astra. A tecnologia da Astra “traduz” qualquer QR Code no Brasil para que os clientes da bandeira - que soma 9,4 bilhões de cartões no mundo - paguem via Pix: a empresa confirma o valor, converte para dólar, liquida o pagamento ao estabelecimento e recebe da UnionPay no dia seguinte. “Registramos mais de 5 mil transações logo no primeiro mês de testes”, diz Alexandre Mota, CEO da Astra. A fintech PagBrasil, por sua vez, lançou seu Pix internacional em 2023. A opção está presente no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal e Espanha, conta o CEO Alex Hoffmann. A instituição oferece também o RoamingPay, solução que interconecta sistemas de pagamento instantâneo de diferentes países para transações via QR Code. Entre os parceiros está o Liquid Group, que permite a comerciantes brasileiros receberem pagamentos por Pix de turistas estrangeiros integrados à rede RoamQR. Outra fintech, a PixNow, oferece Pix em cerca de 7 mil estabelecimentos de oito países - Argentina, Paraguai, Chile, Panamá, Peru, Portugal, Colômbia, Porto Rico e Portugal. “São 12 instituições conectadas, entre fintechs, carteiras digitais, bancos e cooperativas”, diz o CEO Victor Cunha. Com outro produto da fintech, a Remessa em Pix, os clientes podem cadastrar uma chave Pix conectada a uma conta no exterior, para enviar dinheiro para fora ou em caso de não residentes e estrangeiros, cadastrar chave Pix em conta no Brasil, disponibilizada pela plataforma para receber valores do exterior. Já a Remessa Online integra provedores de tecnologia globais para conectar o Pix a sistemas de pagamento instantâneo como o Faster Payments (Reino Unido) e o SEPA Instant (Zona do Euro). “O cliente realiza o pagamento via Pix em uma conta em reais no Brasil, enquanto parceiros internacionais, como Mastercard e Ripple, ficam responsáveis pelo câmbio e pela liquidação na conta de destino”, explica o CEO Marcio William.