Eliana Yaynes e Iván Venencio se conheceram em uma manhã durante a transmissão de um programa de rádio.

"Você veio devido à questão da dívida?", perguntou ela, com naturalidade. "Sim", respondeu ele.

Ambos estavam ali para falar de um problema hoje bastante comum na Argentina.Segundo os números do Banco Central do país e de consultorias locais, mais de 20 milhões de cidadãos estão endividados e cerca de 6 milhões estão em mora, ou seja, com seus pagamentos em atraso ou simplesmente inadimplentes.

A Argentina tem hoje pouco mais de 46 milhões de habitantes. Ou seja, um a cada três argentinos enfrenta problemas para liquidar a dívida adquirida com bancos, carteiras digitais, lojas de eletrodomésticos ou agiotas, como aponta a consultoria Analytica.

No mesmo dia da entrevista de Yaynes e Venencio à emissora de rádio, em 20 de agosto, ocorreu na capital argentina, Buenos Aires, a primeira marcha de cidadãos endividados. Eles reivindicaram mecanismos para refinanciar suas dívidas e protestaram contra a decisão de não intervir na crise, que tem marcado o governo do presidente Javier Milei.