Julia Guedes passou anos tentando responder a uma pergunta que, para ela, parecia inevitável: como construir uma identidade própria quando a música já faz parte do sobrenome? Neta de Beto Guedes, um dos nomes ligados ao Clube da Esquina, a cantora e compositora mineira lança seu primeiro álbum, "Vermelho", depois de um processo que começou como tentativa de se afastar do legado familiar e que terminou como uma forma de incorporá-lo.
Mineira, ela decidiu gravar o disco no Rio de Janeiro. A mudança começou como uma aventura profissional. Mas, hoje, ela entende o deslocamento de Belo Horizonte para o Rio como um gesto de emancipação.
Longe de sua cidade e de um ambiente musical em que sua família ocupa lugar central, Julia passou a buscar outras referências, pessoas e cenários. "Eu fui na promessa de um produtor de lá de que a gente gravaria junto o álbum, eu cheguei lá, ele sumiu, me deu um ghosting", conta. O contratempo acabou contribuindo para que ela encontrasse outro caminho para o disco.
A distância também fez com que a cantora olhasse de outra maneira para a própria origem. "Eu fui para o Rio de Janeiro para eu começar a perceber meu sotaque", diz. A experiência de ser identificada como mineira longe de casa produziu nela uma espécie de reconexão.






