Índice brasileiro é superior à média mundial, em que a presença feminina na lista dos bilionários responde por 14% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vicky Safra, viúva de Joseph Safra, Luana Lopes Lara, da Kalshi, e Cristina Junqueira, do Nubank, aparecem na lista de bilionários da Forbes Brasil 2026 — Foto: Montagem com fotos da Bloomberg e de Lucas Tavares, da Agência O GLOBO Uma em cada cinco pessoas com fortuna acima de R$ 1 bilhão no Brasil é mulher. Elas ocupam 50 das 255 posições do ranking Forbes Bilionários Brasileiros 2026, o equivalente a 19,61% da lista. O patrimônio somado das brasileiras é de R$ 329,17 bilhões, de acordo com a publicação. Mesmo sendo pequeno, o percentual de mulheres bilionárias no Brasil é maior do que a média global, em que a presença feminina na lista dos bilionários responde por 14%. A dianteira brasileira, no entanto, não vem de avanço recente. A proporção está praticamente congelada há cinco anos: era de 19% em 2021 e 2022 e de 20% em 2023 e 2024. E, em números absolutos, o grupo encolheu. Eram 60 mulheres na edição passada, dez a mais do que agora. Fortuna das bilionárias O percentual fica ainda menor quando o critério deixa de ser o número de nomes e passa a ser o dinheiro. Os R$ 329,17 bilhões das bilionárias representam cerca de 17,7% do patrimônio total reunido pela lista, que chega a R$ 1,86 trilhão. Boa parte desse valor está concentrada em Vicky Sarfati Safra, grega naturalizada brasileira e viúva do banqueiro Joseph Safra (1938-2020), que segue como a mulher mais rica do país, com R$ 130,6 bilhões contabilizados junto com o patrimônio dos filhos. É quase 40% de tudo o que as mulheres do ranking somam, e faz dela a segunda pessoa mais rica do Brasil. Sem ela, as outras 49 dividem R$ 198,6 bilhões. No grupo de bilionárias predominam herdeiras e viúvas e mulheres que assumiram o comando de ativos construídos por pais e maridos. Novas bilionárias A lista conta com duas estreantes neste ano. Regina Helena Scripilliti Velloso, herdeira do grupo Votorantim, entra com R$ 5,4 bilhões. Já a mineira Luana Lopes Lara, de 30 anos, cofundadora da plataforma americana de mercados de previsão Kalshi, chega com R$ 13,4 bilhões erguidos do zero e o título de mulher mais jovem do mundo a se tornar bilionária pelo próprio trabalho. A expectativa do mercado financeiro é de que o percentual feminino cresça na próxima década, empurrado pela herança e pela maior expectativa de vida das mulheres, que costumam assumir o controle dos ativos após a morte dos maridos. Só nos Estados Unidos, a consultoria McKinsey calcula uma oportunidade de US$ 30 trilhões até 2030. — Elas acabarão controlando uma parcela significativa da riqueza global — afirmou à Forbes Emma Wheeler, diretora executiva do UBS Global Wealth Management. O ranking considera o fechamento das ações em bolsa em 30 de junho deste ano e trabalha apenas com informações públicas, o que pode subestimar as fortunas. Imóveis, obras de arte, aviões e embarcações ficam de fora na maioria dos casos.